Monitores europeus apontam irregularidades em eleição russa

Atualizado em  5 de março, 2012 - 12:58 (Brasília) 15:58 GMT
Putin saúda correligionários na sede de seu comitê eleitoral em Krasonoyarsk, na Rússia (AP)

Ativistas convocaram protestos contra supostas irregularidades

As eleições presidenciais russas foram "claramente distorcidas" a favor de Vladimir Putin, afirmaram nesta segunda-feira monitores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Resultados preliminares afirmam que, com quase todos os votos já contados, o atual primeiro-ministro, Vladimir Putin, recebeu mais de 63% dos votos e venceu a disputa.

A OSCE diz que o resultado do pleito de domingo "nunca esteve em dúvida".

"No entanto, a escolha dos eleitores foi limitada, a disputa eleitoral não foi justa e faltou um árbitro imparcial", afirmou o líder da missão da entidade, Tonino Picula. "Segundo nossas conclusões, essas eleições não foram justas."

Diversas denúncias de fraude foram registradas durante o processo eleitoral, e grupos de oposição convocaram protestos de massa contra a vitória de Putin nesta segunda-feira.

A ONG russa Golos, financiada pelos Estados Unidos e que promove o monitoramento de eleições na Rússia, diz que o primeiro-ministro conquistou pouco mais de 50% dos votos, cifra muito inferior à declarada oficialmente.

A entidade diz ter recebido inúmeras denúncias de que eleitores teriam depositado várias cédulas eleitorais. A conquista de mais de 50% dos votos por Putin evitou que a eleição fosse para o segundo turno.

Vitorioso

Apesar das reclamações, Putin disse ter vencido as eleições presidenciais russas de forma ''aberta e honesta''.

Pouco após as pesquisas de boca-de-urna terem indicado sua vitória, Putin fez uma aparição pública ao lado do atual presidente, Dmitry Medvedev, e agradeceu aos eleitores ''de todos os cantos'' da Rússia.

''Eu prometi que nós iríamos vencer, e nós vencemos. Glória à Rússia'', afirmou. O futuro presidente ainda acrescentou: ''Vencemos uma batalha aberta e honesta. Provamos que ninguém pode nos obrigar a fazer qualquer coisa."

Putin apoiou seu então primeiro-ministro Medvedev quando este disputou a Presidência em 2008, devido a um veto constitucional que impedia que presidentes buscassem um terceiro mandato consecutivo.

Quando assumir a Presidência, a expectativa é de que Putin faça uma ''dança das cadeiras'' com o atual presidente, que ganharia o cargo de primeiro-ministro.

Segundo a enviada especial da BBC à Rússia, Bridget Kendall, é provável que a eleição presidencial provoque repercussão semelhante à registrada após as eleições parlamentares, em dezembro do ano passado, quando houve várias denúncias de fraude.

Naquela ocasião, as acusações provocaram uma onda de protestos populares que levaram 90 mil pessoas às ruas de diferentes cidades russas, desafiando um inverno rigoroso com temperaturas abaixo de zero.

Um dos candidatos oposicionistas, o bilionário Mikhail Prokhoro, disse estar preocupado com possíveis violações ocorridas na disputa eleitoral e afirmou que está elaborando um dossiê sobre o tema.

Reação comunista

O segundo colocado, o comunista Gennady Zyugannov, que ficou com 17,9% dos votos, criticou duramente o resultado, qualificando a eleição como ''injusta e indigna''.

Por conta da crescente indignação popular, afirmou Zyugannov, Putin ''não será capaz de governar como antes''.

Vladimir Ryzhkov, um dos líderes dos protestos populares, acrescentou que ''estas eleições não podem ser consideradas legítimas de maneira alguma''.

Em entrevista à BBC, o blogueiro de oposição e ativista anticorrupção Alexey Navalny disse que foram registradas ''falsificações de escala grandiosa, especialmente em Moscou'', com, segundo ele, várias denúncias de um único eleitor preenchendo várias cédulas eleitorais.

Já o chefe de campanha de Putin, Stanislav Govourkhin, descreveu o pleito como ''o mais limpo na história russa''.

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