Enviada da ONU entra em bairro sitiado da cidade síria de Homs

Bairro de Baba Amr foi alvo de cerco do regime. | Foto: AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Distrito de Baba Amr foi alvo de intensos bombardeios do regime de Assad

A chefe de questões humanitárias da ONU, Valerie Amos, conseguiu entrar nesta quarta-feira no bairro de Baba Amr, na cidade síria de Homs, semanas após um cerco das tropas do regime do presidente Bashar al-Assad ao local. O Crescente Vermelho (braço da Cruz Vermelha em países de maioria muçulmana) relatou que a região está praticamente deserta.

Acompanhada por equipes do órgão humanitário internacional, a enviada especial das Nações Unidas passou uma hora no distrito sitiado, de onde grande parte dos moradores já havia fugido.

Baba Amr foi alvo de bombardeios do regime durante as últimas semanas. Equipes de ajuda humanitária aguardavam a liberação do governo para prestar auxílio à população.

O acesso foi liberado após reuniões da enviada das Nações Unidas com o chanceler sírio, Walid Muallim, que manifestou a intenção do regime de cooperar com as equipes humanitárias.

Amos visitará ainda nesta quarta-feira outros distritos de Homs, reduto dos rebeldes sírios, antes de reunir-se com o chefe do Crescente Vermelho, Abdulrahman Attar, na quinta-feira, para determinar as necessidades mais urgentes da população afetada.

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Nos últimos dias, as tropas de Assad retomaram a região, após semanas de intensos bombardeios. Ativistas acusam o regime de cometer execuções sumárias durante o cerco.

O Exército Livre da Síria (ELS) deixou Baba Amr na semana passada na esperança de, segundo as lideranças rebeldes, proteger os civis de mais atos de violência.

Mortes

Grupos da oposição relataram explosões em Idlib, no noroeste do país, e dizem temer que o regime passe a atacar o local enquanto as atenções internacionais estiverem voltadas para Homs.

Segundo ativistas, pelo menos 39 pessoas morreram em diferentes partes do país nesta quarta-feira, sendo 26 em Homs, seis em Idlib, três em Deraa e quatro em subúrbios de Damasco e Aleppo.

No fim de fevereiro, a ONU estimou em 7.500 o número de mortes na repressão do regime aos protestos que pedem a renúncia de Assad, iniciados há quase um ano.

Ação dos EUA

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Image caption Valerie Amos (esq.) reuniu-se com o chanceler sírio antes de entrar em Baba Amr

Ainda na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que a situação dos confrontos na Síria é "estarrecedora", mas descartou a possibilidade de uma intervenção militar unilateral dos Estados Unidos no país.

Obama disse que Assad deve cair, assim como outros líderes da região já caíram desde o início da Primavera Árabe. Segundo o presidente americano, intervir unilateralmente contra o regime de Damasco seria "um erro".

Washington disse ainda que trabalhará ao lado de seus aliados para atingir esse objetivo por meio da diplomacia, isolando o regime de forma política e econômica.

China e Rússia têm vetado esforços do Conselho de Segurança da ONU para aprovar uma resolução mais contundente contra o regime sírio.

Mais cedo nesta quarta-feira, Pequim confirmou ter retirado a maior parte de seus funcionários diplomáticos da Síria.

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