'Novo massacre' mata dezenas em Homs

Menino chora a morte do pai em Idlib, na Síria. | Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Forças de segurança estariam matando famílias inteiras em represália, segundo ativistas

Dezenas de pessoas foram mortas em um subúrbio da cidade de Homs, no oeste do país, no que ativistas estão descrevendo como um "novo massacre".

Segundo relatos do Comitê de Coordenação Local (CCL), entre as dezenas de mortos, 20 deles pertenciam a uma só família e 16, a outra.

Os supostos assassinatos acontecem um dia depois que a chefe para questões humanitárias da ONU, Valerie Amos, visitou Homs e disse que partes da cidade foram "devastadas".

Também na última quarta-feira, o vice-ministro sírio do Petróleo disse, em um vídeo no YouTube, que se juntaria aos manifestantes anti-governo.

De acordo com o CCL, uma rede de grupos de oposição, os assassinatos mais recentes realizados pelas forças de segurança aconteceram no bairro de Jobar, em Homs.

O Comitê disse que os assassinatos eram de retaliação, dias depois que as forças de segurança retomaram o controle da cidade após bombardeios semanais.

Os relatos não podem ser verificados, por causa da restrição à presença da imprensa internacional na Síria.

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que grupos de ativistas continuam a relatar a execução sumária de homens de Baba Amr, o massacre de famílias inteiras e o estupro em massa de mulheres.

Muir afirma que grupos de oposição pedem que Amos volte ao país e continue as investigações.

Apelo por acordo

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, descartou nesta quinta-feira uma intervenção militar contra o país, o que, segundo ele, só tornaria a situação ainda pior. As declarações chegam no mesmo dia em que o vice-ministro do Petróleo, Abdo Hussameddin, renunciou ao cargo e juntou-se aos rebeldes.

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Image caption Manifestantes dizem que não aceitarão diálogo com governo durante ataques

Falando no Egito dias antes de uma visita à Síria marcada para o próximo sábado, o ex-secretário geral das Nações Unidas disse que sua missão será estimular o diálogo entre o presidente Bashar al-Assad e a oposição. As declarações foram feitas um dia após o senador republicano John McCain defender que os Estados Unidos intervenham no país.

"Faremos tudo que estiver ao nosso alcance para apelar e pressionar pela interrupção das hostilidades e o fim das mortes e da violência", disse Annan. "Mas é claro que precisamos de um acordo político para chegar a uma solução", disse.

No país árabe, as declarações repercutiram mal entre os rebeldes, para quem a estratégia ocidental só dá mais tempo à repressão das tropas de Assad.

"Nós rejeitamos qualquer diálogo enquanto tanques estiverem bombardeando nossas cidades, atiradores de elite atirarem em nossas mulheres e crianças e o regime isolar muitas regiões do resto do mundo, sem água, eletricidade e telecomunicações", alertou Hadi Abdullah, ativista da cidade de Homs.

A posição de Annan ecoa o que o presidente americano, Barack Obama, disse na terça-feira, ao classificar uma potencial intervenção militar dos Estados Unidos contra Damasco como "um erro".

Deserção

O vice-ministro do Petróleo da Síria, Abdo Hussameddin, de 58 anos, é a primeira figura de alto escalão a abandonar o governo de Assad desde o início das revoltas, há um ano.

Embora soldados e oficiais de maior patente já tenham deixado o Exército sírio para se juntar aos rebeldes, este é o primeiro sinal de racha no gabinete do presidente cuja renúncia é exigida pela rebelião.

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"Eu, Abdo Hussameddin, vice-ministro do Petróleo da Síria, anuncio minha deserção do regime, a renúncia ao meu cargo e saída do Partido Baath. Estou me juntando à revolução do povo que rejeita a injustiça e a campanha brutal do regime", disse, em um vídeo no YouTube.

Ainda na quarta-feira a chefe para questões humanitárias da ONU, Valerie Amos, conseguiu entrar no distrito de Baba Amr, na cidade de Homs, após semanas de bombardeios do regime.

Ela relatou que o local estava praticamente deserto, já que grande parte dos moradores havia fugido para outras regiões, e que o cenário era "estarrecedor".

No fim de fevereiro, a ONU estimou em 7.500 o número de mortes na repressão do regime aos protestos que pedem a renúncia de Assad, iniciados há quase um ano.

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