Síria permite que ONU faça 'avaliação limitada' de situação humanitária

Casa destruída no bairro de Inshaat, em Homs (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Bairros de Homs ficaram destruídos depois de ataques de forças do governo

A chefe para questões humanitárias da ONU, Valerie Amos, disse nesta sexta-feira que o governo da Siria concordou com uma "avaliação limitada" da situação humanitária no país.

Em uma entrevista coletiva concedida na Turquia, Amos informou que pediu por acesso ilimitado às áreas mais atingidas pelos confrontos, mas o governo pediu mais tempo.

"O governo concordou com um exercício de avaliação limitada que será conduzido pelas agências da ONU e autoridades sírias, o que vai nos dar algumas informações sobre o que está acontecendo no país", disse.

No entanto, Amos afirmou que a organização continua pressionando para ter mais acesso.

"Continuamos precisando de um compromisso mais sólido que vai nos permitir ter mais informação sobre o que está acontecendo."

O governo sírio pediu mais tempo para analisar o acordo que a chefe para questões humanitárias ofereceu às autoridades do país.

Valerie Amos esteve na cidade de Homs, oeste do país, e afirmou que ficou "horrorizada" com a destruição que viu no bairro de Baba Amr, abandonado por rebeldes na semana passada, depois de um grande bombardeio das forças do governo, que durou semanas.

"Quase todos os prédios foram destruídos e quase não há mais ninguém lá. É uma situação terrível. Estou muito preocupada com o paradeiro das pessoas que deixaram Baba Amr", afirmou.

Amos também visitou campos de refugiados na fronteira entre a Síria e a Turquia, onde estão 11 mil sírios.

Visita e protesto

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Image caption Amos afirmou que situação em bairro de Homs a deixou 'horrorizada'

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, deve visitar a Síria neste sábado e disse que a solução para a crise no país é um "acordo político". Para Annan, uma intervenção militar contra o país só tornaria a situação pior.

Annan deve se reunir com o presidente sírio, Bashar al-Assad, neste final de semana.

A posição de Annan ecoa o que o presidente americano, Barack Obama, disse na terça-feira, ao classificar uma potencial intervenção militar dos Estados Unidos contra Damasco como "um erro".

Nesta sexta-feira, dezenas de milhares de pessoas teriam voltado às ruas das principais cidades da Síria para protestar contra Assad.

Ativistas do grupo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, baseado na Grã-Bretanha, informaram que ocorreram grandes protestos nas cidades de Deraa, Latakia, Homs, Hama, Deir Ezzor e Aleppo.

O grupo de ativistas do Comitê de Coordenação Local (CCL) informou que 46 pessoas foram mortas no país nesta sexta-feira, sendo 22 apenas em Homs e outras 11 em Idlib, perto da fronteira com a Turquia. Outras cinco foram mortas em Deraa, quatro em Hama, duas em Damasco, uma em Latakia e uma em Aleppo.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos afirmou que soldados, com o apoio de tanques, estão se reunindo em Idlib, para atacar o Exército Livre da Síria, a principal força militar rebelde do país.

Alguns ativistas temem que Idlib possa ter o mesmo destino que o bairro de Baba Amr, em Homs.

Os relatos não podem ser verificados, por causa da restrição à presença da imprensa internacional na Síria.

No fim de fevereiro, a ONU estimou em 7.500 o número de mortes na repressão do regime aos protestos que pedem a renúncia de Assad, iniciados há quase um ano.

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