No Complexo do Alemão, príncipe Harry conversa sobre ocupação do Exército

Harry no Alemão/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Após programação esportiva na zona sul, ele viu crianças cantarem e conheceu projetos sociais

Em visita ao Complexo de Alemão, na zona norte do Rio, o príncipe Harry conheceu militares da Força de Ocupação responsável pela segurança das favelas e quis saber como funciona a operação, segundo o comandante da tropa, Tomás Miguel Paiva.

"Ele é militar, então perguntou sobre como é a missão aqui, porque é algo diferente para ele. Estamos atuando dentro do nosso próprio país. Ele quis saber como estamos operando", contou o general pouco após a conversa.

Após programação esportiva na zona sul do Rio, o príncipe Harry foi ao Complexo do Alemão na tarde deste sábado, onde viu crianças cantarem, conheceu projetos sociais locais, conversou com militares e assistiu a show (e até subiu no palco) do cantor Diogo Nogueira.

Harry chegou ao Alemão no teleférico inaugurado no conjunto de favelas no ano passado, acompanhado pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

Ao ser apresentado a alguns militares da Força de Pacificação - composta por cerca de 1.600 homens que monitoram o Complexo do Alemão desde sua ocupação por forças de segurança, em novembro de 2010, Harry chegou a vestir o boné azul turquesa da tropa.

Os militares quebraram o protocolo e tiraram suas máquinas fotográficas para tirar fotos do príncipe, fazendo uma pequena roda em torno dele. O príncipe, que já atuou junto às forças armadas britânicas no Afeganistão, fez perguntas.

"Ele quis saber se hoje nós podemos transitar livremente por todas as ruas do Alemão. Falei para ele que podemos, e os moradores também", diz Paiva.

Cerca de 800 soldados atuavam na segurança para a visita de Harry. Mais cedo, na Vila Cruzeiro, ocorreu um conflito entre moradores e militares e os soldados chegaram a fazer disparos de munição não-letal. A favela fica ao lado do Complexo do Alemão, mas não estava no trajeto de Harry.

A visita do príncipe se restringiu às cercanias da estação do teleférico Palmeiras. Na chegada, ele foi saudado pela Liga dos Cantantes, um coral entusiasmado de cerca de 50 crianças de entre 3 e 15 anos. O grupo existe há um ano e atua na Clínica da Família Zilda Arns.

"Ô Harry!"

Harry ouviu músicas, recebeu um presente de duas crianças e ensinou uma delas a contar em inglês até dez. Elas encerraram apresentação com um coro de "Ô Harry!". Depois, o príncipe ficou alguns minutos agachado conversando com elas, apertou suas mãos, fez careta e posou para inúmeras fotos com as crianças.

"Ele abraçou a gente!", contou, após a partida do príncipe, Amanda Duarte, de 12 anos, com um grupo de amigas de sua idade, todas de sombra, batom e penteados caprichados. Ela disse nunca ter visto alguém tão branco e tão ruivo antes.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption O cantor Diogo Nogueira chamou Harry ao palco

"Ele é muito lindo, gente. Muito simpático, simples, fala com todo mundo. Realizei um sonho hoje. Meu sonho era conhecer um príncipe de verdade, porque eu só vinha em desenho."

No palco musical

Depois, Harry foi para uma quadra do lado de fora e jogou uma breve partida de taco, uma versão local do críquete, com crianças da comunidade, e seguiu para o show do cantor Diogo Nogueira na comunidade. Escoltado por seus seguranças, Harry chegou a subir ao palco, atendendo ao convite do cantor.

A visita ao Complexo do Alemão foi o último programa na agenda oficial do príncipe no Rio, encerrando a visita iniciada na sexta-feira.

Esta é a primeira vez que o príncipe vem ao Brasil, onde chega após passar por Belize, Bahamas e Jamaica.

No domingo, ele estará em São Paulo, onde participa de partida beneficente de pólo para arrecadar fundos para ONGs brasileiras e para a Sentabale, sua organização de caridade em Lesoto, na África.

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