Enviado da ONU está ‘extremamente preocupado’ com crise síria

Kofi Annan e Bashar Al-Assad Direito de imagem AFP
Image caption Kofi Annan e Bashar Al-Assad conversaram em Damasco no sábado

O enviado da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, disse ao presidente sírio, Bashar al-Assad, estar "extremamente preocupado" com a violência no país durante encontro dos dois neste sábado na capital, Damasco.

Por meio de comunicado, Annan disse que "fez um apelo ao presidente para que ele tome medidas concretas para encerrar a crise atual".

O ex-secretário geral da ONU "colocou diversas propostas sobre a mesa para acabar com a violência e as mortes, garantir acesso para agências humanitárias, e iniciar a libertação dos detidos e um diálogo político inclusivo".

Annan descreveu a conversa de sábado com Assad como "franca e abrangente". Ele deve se encontrar novamente com o presidente sírio no domingo.

Na noite de sábado, ele se encontrou com representantes da oposição.

Annan tem o apoio de aliados sírios como China e Rússia e sua ida ao país foi elogiada tanto pelo governo de Assad como pela oposição.

Mas Assad disse a Annan que não existe possibilidade de diálogo com a oposição enquanto "grupos armados terroristas" estiverem atuando na Síria.

Assad prometeu que a Síria apoiará "qualquer esforço honesto para se achar uma solução".

O encontro entre o diplomata e o presidente durou mais de duas horas. Em seguida, Annan almoçou com o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid ad-Moallem.

A televisão estatal síria disse que o encontro entre Annan e Assad aconteceu em uma "atmosfera positiva".

"A Síria está pronta para fazer com que qualquer esforço honesto para se achar uma solução para os eventos que estamos testemunhando vire um sucesso", disse Assad, segundo a agência estatal de notícias Sana.

"Nenhum diálogo político ou atividade política pode dar certo enquanto houver grupos armados terroristas operando e espalhando caos e instabilidade."

Bombardeios

Enquanto Annan se encontrava com Assad, grupos de oposição disseram que novos conflitos e bombardeios foram registrados na cidade de Idlib, próximo à fronteira com a Turquia.

O grupo Observetório Sírio para Direitos Humanos disse que os bombardeios são os mais pesados desde a semana passada, quando um reforço do Exército chegou à região. Os ativistas acreditam que isso pode ser o prenúncio de um novo ataque terrestre, a exemplo do que aconteceu na cidade de Homs.

Um ativista em Idlib disse à agência de notícias Reuters que tanques do governo estão na cidade. A agência AP noticiou que algumas famílias estavam deixando Idlib com seus pertences.

Meta

De acordo com Ban Ki Moon, a tarefa de Annan em sua viagem é obter o fim imediato da violência, tanto por forças do governo quanto por manifestantes da oposição.

Segundo o secretário-geral, se um cessar-fogo de ambas as partes não for possível, a ONU pedirá que as tropas do governo parem de lutar primeiro, para que a oposição faça o mesmo na sequência.

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Image caption Enquanto ONU negocia em Damasco, oposição diz que violência continua em Idlib

A ONU quer iniciar um diálogo entre governo e oposição, mas manifestantes dizem que são contra a ideia de se reunir com representantes do governo de Assad.

A visita de Annan coincide com um encontro de ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe, no Cairo. Eles vão se reunir com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov. A Rússia é um dos países que têm vetado resoluções contra o regime de Bashar Al-Assad.

No sábado, Lavrov voltou a se manifestar contra o que chamou de "interferência crassa" nos assuntos domésticos da Síria.

Além das discussões na Liga Árabe e da visita de Annan, a chefe para questões humanitárias da ONU, Valerie Amos, também está participando de negociações sobre a violência na Síria.

Amos está pedindo que o governo sírio permita que organizações de ajuda humanitária tenham acesso às regiões mais afetadas pela violência, como o distrito de Baba Amr, em Damasco. Ela disse na sexta-feira que houve um pequeno progresso nas negociações, e que uma equipe poderá obter acesso à região já na próxima semana.

Segundo a ONU, 7,5 mil pessoas morreram devido à violência na Síria, que começou em março do ano passado, quando a oposição foi às ruas para pedir mudanças no regime.

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