Polícia francesa encontra explosivos em carro em cerco a suspeito por ataques

Carros da polícia perto da casa do suspeito em Toulouse Direito de imagem AP
Image caption Casa do suspeito fica a três quilômetros do local do ataque à escola judaica na segunda-feira

A polícia francesa confirmou nesta quarta-feira ter encontrado explosivos no carro do irmão do suspeito por um ataque a uma escola judaica que deixou quatro mortos na segunda-feira. A revelação chega em meio ao cerco à casa do francês de origem argelina Mohamed Merah, de 24 anos, que já dura 12 horas.

Merah, que também é suspeito de ter matado três militares em outros dois atentados no início do mês, ainda não foi detido pelos mais de 300 policiais que participam da operação em torno de sua casa desde a madrugada.

Mais cedo, a emissora de TV francesa BMF TV chegou a noticiar a prisão, mas o ministro do Interior, Claude Guéant, negou a informação e confirmou que a operação continua.

"As negociações continuam, ainda não foram finalizadas", disse.

Um vizinho de Merah o descreveu como um homem educado que gosta de futebol e motocicletas e que não parecia ser religioso.

"Ele não é o homem grandão e barbudo que você imaginaria, o clichê. Quando você conhece bem uma pessoa, simplesmente não pode imaginar que ela seria capaz de fazer algo deste tipo", disse o vizinho à agência de notícias Reuters.

Sarkozy

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Image caption Em pronunciamento, Nicolas Sarkozy disse que atentados não devem causar divisões aos franceses

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, viajou a Toulouse na manhã desta quarta-feira para acompanhar os desdobramentos do caso. Após visitar uma delegacia próxima à casa do suspeito, foi ao local onde os três militares mortos no início do mês estão sendo enterrados.

Mais cedo, Sarkozy disse que os ataques não devem ser usados para atos de vingança ou discriminação.

Segundo o presidente, atos de terror não conseguirão dividir a França, que abriga as maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa.

"O terrorismo não conseguirá fraturar nossa comunidade nacional", afirmou. "Eu digo a toda a nação que precisamos ficar unidos", disse ele, antes de se encontrar com líderes das duas comunidades em Paris.

Kalashnikov e Uzi

Merah teria dito pertencer à Al Qaeda e ter agido para vingar "as crianças palestinas" e os "crimes franceses" no Afeganistão.

Segundo Guéant, o homem era monitorado pelo serviço de inteligência francês "há vários anos".

O suspeito estaria armado com uma metralhadora Kalashnikov, uma pistola automática mini-Uzi 9 milímetros e vários revólveres. Pela manhã, ele jogou pela janela um revólver Colt 45 em troca de um telefone.

Alguns membros de sua família teriam sido presos e sua mãe foi levada ao local do cerco, para tentar convencer o filho a se entregar.

Enterro em Israel

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Image caption Professor de religião e seus dois filhos (a quem dá as mãos na foto) foram enterrados em Israel

Os corpos das quatro vítimas do ataque na escola judaica foram levados a Israel, onde devem ser enterrados nesta quarta-feira, em Jerusalém.

Os mortos no ataque foram o rabino e professor de religião Jonathan Sandler, de 30 anos, seus dois filhos Arieh, de 5 anos, e Gabriel, de 4, além de Myriam Monsonego, de 7 anos, filha do diretor da escola.

Ao menos 2 mil pessoas acompanham o enterro no cemitério Givat Shaul, em Jerusalém.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, acompanhou os parentes das vítimas em Israel.

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