Feto é listado como 17ª vítima de massacre de soldado americano no Afeganistão

Militares no Afeganistão | Foto: PA Direito de imagem PA
Image caption Massacre de 17 civis agravou ainda mais relação entre os Estados Unidos e o Afeganistão

Um feto está entre as 17 pessoas mortas por um militar americano no Afeganistão no dia 11 de março, revela o jornal The New York Times.

Segundo a reportagem, essa seria a razão pela qual o governo e a mídia dos Estados Unidos trabalham com o número de 17 vítimas enquanto os afegãos mantêm que 16 civis morreram no ataque do sargento Robert Bales, que invadiu casas em um vilarejo e abriu fogo contra civis.

"Os americanos estão certos. Uma das mulheres estava grávida, e é por isso que estão dizendo 17", informou ao jornal o chefe de polícia da província de Kandahar, Abdul Razak.

As revelações chegam no mesmo dia em que um militar com um uniforme afegão matou dois oficiais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no país.

Ainda na semana passada o governo afegão disse que em sua lista de mortos constavam apenas 16 nomes.

Nos EUA, as acusações formais do Pentágono baseiam-se na legislação militar americana que determina que a morte de uma criança ainda no útero pode ser considerada assassinato independentemente de o homicida saber que a vítima estava grávida ou se havia ou não a intenção de matar o feto.

De acordo com o NYT, a lei indica, no entanto, que o assassinato de um feto não pode ser condenado com a pena de morte.

Também nesta segunda-feira autoridades americanas e afegãs confirmaram que o Pentágono pagou uma indenização aos familiares dos 16 mortos e seis feridos, no valor de US$ 50 mil (R$ 90 mil) por cada morte e US$ 11 mil (R$ 19 mil) para cada civil ferido, totalizando US$ 866 mil (R$ 1,5 milhão).

Já a mulher do sargento, Karilyn Bales, disse ao programa Today Show, da emissora de TV NBC, que as acusações são inacreditáveis e que "ele jamais faria isso". Na entrevista que deve ir ao ar nesta segunda-feira, Karilyn indicou ainda que "ele adora crianças" e que "queria proteger seu país", segundo o jornal.

Segundo as investigações iniciais, Robert Bales teria deixado as instalações militares na madrugada de do dia 11 de março e invadido casas de famílias afegãs em vilarejos próximos.

O Talebã prometeu vingar as mortes e disse que os assassinatos foram cometidos por "selvagens americanos".