Brasil tem de elevar investimentos sem descuidar de saúde e educação, diz Dilma

Líderes dos Brics durante cúpula na Índia, nesta quinta-feira (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Dilma (ao lado de líderes dos Brics) diz que é preciso elevar investimento privado e do governo

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o Brasil vai ter que continuar fazendo gastos para melhorar a saúde e educação, apesar da necessidade de fazer com que a taxa de investimento total do país - que engloba aportes públicos e privados em infraestrutura e equipamentos, por exemplo - chegue a 24% do PIB (atualmente a taxa está em 19,3%, segundo o IBGE).

Em declaração feita em Nova Déli, na Índia, após a Quarta Cúpula dos Brics (Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul), a presidente disse que nem sempre é possível cortar gastos no governo.

"O que nós temos que fazer é aumentar o investimento do governo e o investimento privado. Temos necessariamente de fazer esse esforço", disse.

"Acredito que nós, ao mesmo tempo, vamos ter de fazer alguns gastos no que se refere a consumo do governo, principalmente no que se trata da saúde e da educação. No caso da saúde, você tem de ampliar o número de médicos atendendo no Brasil", disse Dilma, citando que o país tem um dos menores números de médico per capita do mundo: 1,8 por cada mil habitantes.

É preciso, segundo a presidente, manter as despesas nos serviços básicos, mas trabalhar para aumentar a taxa de investimento - indicador que reflete a capacidade dos setores públicos e privados de investir na economia e aumentar sua produtividade.

"Se você for ver do que a população reclama, você vai ver é de duas coisas. Reclama de falta de médico e, portanto, de falta de atendimento", declarou Dilma. "Vamos ter de gastar nisso. Isso não é investimento. E ao mesmo tempo vamos ter de aumentar a taxa de investimento."

Estímulos

Dilma citou uma série de medidas que o governo pretende implementar para aumentar a taxa de investimento. Entre elas, a construção de 2 milhões de moradias no programa Minha Casa Minha Vida, investimentos em metrô em diversas cidades brasileiras, além de obras de infraestrutura.

"Sem sombra de dúvida, o esforço que nós fazemos tem de ser complementado pelo investimento privado. Sem isso você não cria uma taxa de investimento de 24%."

A presidente disse que, assim que voltar ao Brasil, vai anunciar uma série de medidas de estímulo econômico que tem como objetivo assegurar através de mecanismos tributários e financeiros, um maior investimento do setor privado.

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