Israel tenta barrar ativistas europeus pró-palestinos em aeroporto

Belém
Image caption Ativistas planejam visita organizada à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia

As autoridades israelenses enviaram às companhias aéreas da Europa os nomes de centenas de ativistas europeus que já compraram passagens para participar do projeto Welcome to Palestine 2012, neste domingo.

Segundo os organizadores, o projeto consiste de uma visita organizada à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, a fim de colocar a pedra fundamental para uma escola internacional, promover a construção de uma creche e participar de outras iniciativas de solidariedade com o povo palestino.

Para o ministro da Informação de Israel, Yuli Edelstein, trata-se de uma "provocação".

"A motivação dos ativistas é o ódio ao Estado de Israel e ao povo judeu e fazer provocações. Passageiros suspeitos serão deportados", afirmou o ministro.

Olivia Zemor, uma das principais organizadoras do projeto, afirmou que "Israel não tem razão para ter medo".

"Somos um grupo de ativistas pacificos, inclusive famílias com crianças e idosos, e pretendemos ir diretamente a Belém para manifestar solidariedade com o povo palestino e fundar uma escola internacional", disse Zemor, que é uma ativista judia francesa.

Segundo os organizadores, cerca de 1.500 ativistas já compraram passagens para participar da viagem. De acordo com estimativas das autoridades israelenses, entre 500 e mil ativistas tentarão entrar em Israel neste domingo.

Em julho de 2011 uma iniciativa semelhante de ativistas europeus pró-palestinos foi barrada nos países de origem depois que companhias aéreas europeias receberam listas de Israel e impediram centenas de pessoas de embarcar.

Policiais

O ministério da Segurança Interna de Israel anunciou que 650 policiais serão posicionados no aeroporto Ben Gurion "para impedir provocações" por parte dos ativistas europeus e barrar sua entrada no país.

De acordo com a imprensa local, as autoridades decidiram que a maioria dos policiais estará vestida à paisana e os voos nos quais os ativistas deverão chegar serão direcionados para um terminal afastado da área central do aeroporto.

Segundo o canal 1 da TV israelense, as autoridades monitoraram as redes sociais e os sites do projeto Welcome to Palestine durante meses e elaboraram uma lista de centenas de "passageiros suspeitos", os quais serão imediatamente expulsos para os países de origem às custas das companhias aéreas.

Já "passageiros inocentes", segundo a TV, serão recebidos com flores.

Para Mazen Qumsieh, palestino de Belém, "Israel não tem o direito de isolar os palestinos e impedir que ativistas europeus nos visitem".

Qumsieh, que é um dos organizadores do projeto, afirmou que os ativistas não têm intenção de fazer provocações no aeroporto e querem ir diretamente a Belém.

De acordo com Qumsieh, "os ativistas não vão mentir e dirão claramente às autoridades israelenses no aeroporto que pretendem ir à Cisjordânia para participar do projeto Welcome to Palestine".

O próximo domingo será um dos dias mais movimentados do ano no aeroporto internacional de Israel, logo depois do feriado judaico do Pessach, e quando deverão passar pelo local cerca de 50 mil passageiros.

O ministro da Segurança Interna, Itzhak Aharonovitz, afirmou que as autoridades aeroportuárias e as forças de segurança estão prontas para garantir a ordem no aeroporto.

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