Nova rota pelo Ártico vira opção de navegação com derretimento de icebergs

Submarino Britânico | Foto: Marinha Real Direito de imagem Marinha Real
Image caption Submarino HMS Tireless, da Marinha Real Britânica, atravessa as águas do Ártico em 2007

Cem anos depois do naufrágio do Titanic, uma nova rota de navegação comercial ligando o Atlântico Norte e o Pacífico pelo Ártico, apresenta riscos e desafios ainda desconhecidos, apontam especialistas.

Conhecida como Passagem do Nordeste ou Rota Marítima do Norte, a partir de 2009 a região tornou-se uma opção viável em diferentes épocas do ano.

A abertura da rota só foi possível pelo derretimento de icebergs e áreas de gelo devido às mudanças climáticas, aponta o relatório Segurança e Transportes 1912-2012, do Titanic ao Costa Concordia, elaborado pela seguradora alemã Alianz.

''A operação de navios na região está exposta a uma série de riscos, como más condições climáticas e dificuldades de comunicação, e muitos permanecerão desconhecidos por muito tempo'', acrescenta a pesquisa.

Ártico desconhecido

Chris Parry, contra-almirante reformado da Marinha Real Britânica, onde atuou por 35 anos, diz que a principal dificuldade da navegação na região é o fato de que o Ártico ainda é amplamente desconhecido, sem cartas náuticas elaboradas.

''Embora a Marinha russa tenha operações no Ártico, a região ainda é desconhecida, e não há estruturas de resgate. Conforme esta rota for mais utilizada, haverá a necessidade de usar satélites para mapeá-la'', diz.

Ex-presidente do Comitê de Gerenciamento Marinho da Grã-Bretanha, Parry avalia que a Rússia, os Estados Unidos e o Canadá devem ser os três países mais interessados na importância estratégica e comercial da região, que deve crescer como rota comercial marítima na próxima década.

O relatório da Allianz prevê ainda que as operadoras de navios deverão construir embarcações com estruturas específicas e treinamento especial para a tripulação.

''Outros aspectos que precisam ser considerados são as implicações de segurança, a experiência da tripulação em navegação no gelo e treinamento emergencial'', acrescenta o estudo.

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