Forças afegãs enfrentam militantes talebãs após ataques

Bombardeio de militantes no Parlamento afegão. | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Talebãs dizem que ataques são o início da "ofensiva de primavera"

Relatos dizem que o confronto entre as forças de segurança do Afeganistão e insurgentes armados continua na capital, Kabul, horas depois que os militantes talebãs realizaram diversos ataques simultâneos no país.

Os ataques coordenados tiveram como alvo bases da Otan, o Parlamento afegão e embaixadas ocidentais no maior ataque a Kabul em seis meses. As Províncias de Logar, Paktia e Nangahar também foram atingidas.

Dois membros das forças de segurança e 17 insurgentes teriam sido mortos nos conflitos. Outros 17 policiais e nove civis ficaram feridos, segundo o Ministério das Relações Interiores afegão.

Oficiais dizem também que prenderam outros dois homens-bomba, que planejavam matar o vice-presidente do Afeganistão, Mohammad Karim Khalili.

O último ataque desta escala em Kabul aconteceu em setembro de 2011, quando insurgentes fortemente armados tomaram um prédio em construção e abriram fogo contra a embaixada dos Estados Unidos e o quartel-general da ONU, deixando pelo menos 14 afegãos mortos.

O Talebã disse que é o início de uma "ofensiva de primavera". A "estação de combate" deles tende a começar quando as temperaturas mais altas derretem a neve nas montanhas ao longo da fronteira com o Paquistão, permitindo que combatentes entrem no Afeganistão.

Entre os alvos deste domingo estava a embaixada britânica, onde fois foguetes atingiram uma torre de guarda e uma granada foi lançada na casa usada por diplomatas. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não houve feridos.

O ministro William Hague disse que condena "fortemente" os ataques e elogiou as forças do governo afegão por responderem "bravamente, rapidamente e efetivamente".

Político com rifle

Os insurgentes focaram os ataques nas embaixadas ocidentais na área diplomática central de Kabul e na região do Parlamento, mas também atacaram tropas francesas, gregas e turcas no leste da cidade.

Os principais alvos foram as embaixadas britânica e alemã, o hotel Kabul Star, o quartel-general da força internacional liderada pela Otan (Isaf) e o Parlamento.

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Image caption Ministro britânico elogiu "resposta rápida" de forças de segurança afegãs

Após os ataques contra o Parlamento, até mesmo parlamentares decidiram aderir aos combates contra os militantes do Talebã.

O parlamentar Kandahar Naeem Hameedzai Lalai afirmou: ''Sou o representante do meu povo e tenho de defendê-lo''.

Ele afirmou que chegou a disparar entre 400 e 500 balas de seu rifle Kalashnikov nos combatentes, que atiraram duas granadas no edifício.

Funcionários da embaixada dos Estados Unidos também relataram que foram registradas explosões nos arredores da sede diplomática, mas afirmaram que os funcionários da representação americana não ficaram feridos.

Em Jalalabad, onde houve um atentado suicida no leste da cidade, há relatos de que o aeroporto foi atacado, assim como uma base militar americana.

A polícia afirmou que quatro civis foram feridos e sete insurgentes foram mortos. Entre eles, quatro homens-bomba vestidos em burcas e roupas femininas foram alvejados enquanto davam início ao ataque.

Militantes teriam assumido o controle de um edifício do governo em Pul-e-Alam, capital da província de Logar. Ativistas do Talebã e tropas do governo trocaram tiros nas imediações do edifício.

Na cidade de Gardez, capital da província de Paktia, também houve troca de disparos entre militantes e soldados, após milicianos terem assumido o controle de outra sede governamental.

Um parlamentar de Nangarhar, Mirwaus Yasini, disse à BBC que está claro que houve uma falha de inteligência e que "isso mostra que o Talebã não quer paz."

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