Sem apoio do Brasil, candidato dos EUA é eleito para Banco Mundial

Atualizado em  16 de abril, 2012 - 14:52 (Brasília) 17:52 GMT
Jim Yong Kim, novo presidente do Banco Mundial. Reuters

O sul-coreano-americano Jim Yom Kim é o escolhido dos EUA para o Banco Mundial

Sem o apoio do Brasil, o Banco Mundial escolheu nesta segunda-feira seu novo presidente, o americano de origem sul-coreana Jim Yong Kim. Ele começará seu mandato de cinco anos no dia 1º de julho próximo.

Como de praxe, a indicação americana levou a instituição, confirmando a regra de que um americano lidera o Banco Mundial e um europeu, o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas analistas ouvidos pela BBC afirmam que, apesar de representar o status quo, Jim Yong Kim possa levar o banco em outra direção – talvez parafraseando o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, para quem "o Banco Mundial não é para ajudar país rico, é para ajudar país pobre".

Jim Yong Kim, 52, é um expoente na área da saúde principalmente em países em pobres, emergentes ou em desenvolvimento.

Foi diretor do Departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde e é fundador da organização Partners in Health, que trabalha em prol da saúde de pessoas carentes em países das Américas, África e Ásia.

Nascido em Seul, ele se mudou para os EUA aos cinco anos com os pais, uma família de intelectuais. Seu pai era professor de Odontologia na Universidade de Iowa, onde sua mãe obteve doutorado em Filosofia.

Jim Yong Kim se tornou presidente do prestigiado Dartmouth College, em New Hampshire, em 2009.

Para Sabina Dewan, diretora de Globalização do centro de estudos liberal Center for American Progress, a escolha de um especialista em desenvolvimento “parece interessante”.

"Embora seja um cidadão americano, é a primeira vez que haverá uma pessoa asiática, e não ocidental, no cargo", disse à BBC.

"Seu trabalho em vários países no campo do desenvolvimento e em áreas tão difíceis quanto HIV/Aids lhe dão uma experiência que pode ser muito útil no Banco Mundial."

Falta de consenso

Mas, apesar do currículo ligado à atuação em países pobres, a indicação do sul-coreano-americano não passa livre de ressalvas, e a candidatura não teve apoio de países emergentes importantes, como o Brasil.

A principal delas é o fato de Jim Yong Kim não ser um economista. Ele comandará uma carteira de empréstimos que chegou a quase US$ 260 bilhões no ano passado, e chefiará um exército de 9 mil economistas e especialistas em desenvolvimento.

O novo presidente também terá o desafio de liderar reformas destinadas a dar mais poder para os países emergentes no banco – mudanças que, na sexta-feira, o ministro Guido Mantega qualificou de "pífias" sob o comando do atual ocupante do cargo, Robert Zoellick.

"Queremos participação efetiva e influenciar nas decisões. Como vai atuar, para quem vai emprestar dinheiro, como vai combater a pobreza", disse nesta segunda-feira o ministro Guido Mantega em Brasília.

"Não vamos contribuir e colocar recursos adicionais (no FMI) caso não haja firme comprometimento para levar adiante as reformas."

Questionamento

O Brasil estava apoiando a candidatura da nigeriana Ngozi Okonio-Iweala. A ministra das Finanças da Nigéria, de 57 anos, que até o ano passado era diretora-gerente do Banco, recebeu apoio também de seu próprio país, da África do Sul e de Angola.

Na sexta-feira, o candidato colombiano, José Antonio Ocampo, considerado um "excelente candidato" pelo ministro Guido Mantega, desistiu do páreo sem ter recebido o apoio de seu governo.

À BBC, Ocampo, que dá aulas em outra prestigiosa universidade, Columbia, disse que se retirou "para facilitar a desejada união das economias emergentes e em desenvolvimento em torno de um candidato único".

A votação deste ano é a primeira vez que os 25 membros do Conselho do Banco escolhem um candidato desde a criação da instituição, em 1944.

Mas como Japão e a Europa têm juntos 54% dos votos, o questionamento da ordem vigente pelos países emergentes ainda alcança um status quase simbólico.

O ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan, disse nesta segunda-feira que "não é mais em salas esfumaçadas da Europa e dos Estados Unidos que os espólios são divididos".

Mas ele mesmo disse acreditar que "as potências estabelecidas" sairiam vencedoras da eleição.

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