Reservas na Patagônia são esperança argentina de liderança no mercado de energia

Atualizado em  18 de abril, 2012 - 05:33 (Brasília) 08:33 GMT
Petrolífera Repsol-YPF | Foto: Reuters

Reservas não na Patagônia ganharam atenção em meio à crise com petrolífera Repsol-YPF

As reservas energéticas na região da Patagônia são a esperança argentina de protagonismo no mercado de energia mundial. Em novembro do ano passado, a petrolífera Repsol-YPF anunciou o descobrimento de gás e de petróleo não convencional em terra, em uma área conhecida como Vaca Muerta ("Vaca Morta"), na província patagônica de Neuquén.

"O descobrimento espetacular equivaleria a cinco anos de produção da empresa no país", informou o jornal La Nación, na ocasião. "De agora em diante a Argentina pode começar a reverter o déficit energético que tem acumulado", publicou o Clarín, outro diário argentino.

Num discurso nesta segunda-feira, a presidente Cristina Kirchner recordou que o país seria o terceiro maior produtor mundial desta energia "não convencional" segundo documento do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

De acordo com o estudo citado, o líder neste ramo, do chamado "gás não convencional", seriam os Estados Unidos e em segundo lugar a China. Cristina fez a referência ao anunciar a "expropriação" da petrolífera Repsol-YPF – cinco meses após aquela descoberta.

Nova YPF

Mas a exploração de gás e de petróleo "não convencional" na Vaca Muerta necessitará de tecnologia avançada e investimentos milionários, segundo disseram à BBC Brasil assessores do governo de Neuquén.

"A Repsol-YPF era a principal empresa em Vaca Muerta e após a decisão do governo nacional deverá continuar sendo, como a nova YPF, mas não é e não será a única empresa (nesta exploração). Aqui estão empresas estrangeiras também e outras estão interessadas", afirmaram.

Esta energia é definida como "não convencional" porque assim como o pré-sal, dizem especialistas, necessita de "tecnologia de última geração" para chegar a ser extraída.

E para o ex-secretário de Energia da Argentina, Daniel Montamat, "após a expropriação da Repsol-YPF, tende a ficar mais difícil atrair os investidores internacionais".

Montamat acredita que somente em "seis anos ou sete anos" se saberá se será possível chegar às grandes reservas energéticas desta bacia neuquina – que inclui Neuquén e Mendoza e outras províncias, de acordo com assessores do governo de Neuquén.

Dúvidas

Mas muitos duvidam do fôlego do setor energético argentino. A senadora da oposição Norma Morandini, da Aliança Frente Cívico, questionou se o Estado argentino receberá de volta a YPF, que foi estatal, "vazia" ou com conteúdo para os argentinos.

"Vamos receber uma vaca morta?", disse em relação à YPF. Sua dúvida foi apresentada durante exposição do vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, ligado ao grupo político La Campora, que é o braço jovem do kirchnerismo e com viés nacionalista. "Várias empresas internacionais estão interessadas na bacia de Vaca Muerta", respondeu ele, referindo-se a bacia na Patagônia.

Na exposição, Kicillof sugeriu que o governo não deverá pagar o que a espanhola Repsol espera pela "expropriação" da petrolífera e indicou que esta será uma longa disputa.

"Não vamos pagar a Repsol o que eles querem. E vamos apurar com as províncias se a empresa, que está endividada, teve algum desastre ecológico", disse.

De acordo com levantamentos do setor privado, a Repsol-YPF administrava 30% da produção e da exploração de petróleo e de gás do país, além de mais de 50% da comercialização do setor no território argentino - antes do anúncio da presidente segunda-feira.

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