Mantega quer Alemanha gastando mais para conter a crise

Guido Mantega | Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Em Washington, ministro Guido Mantega diz que medidas europeias impedem recuperação mundial

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defende nesta sexta-feira, em Washington, que a Alemanha adote medidas de estímulo para evitar mais um estancamento da economia mundial.

Segundo o texto do discurso, antecipado à imprensa, Mantega levará o assunto ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês). Nas declarações que fará no FMI (Fundo Monetário Internacional), o ministro dirá que as medidas de austeridade tomadas pelas economias avançadas está reduzindo o crescimento nas economias avançadas.

Mantega dirá também que o Brasil "fará o que julgar necessário" para exercer controlo sobre o fluxo excessivo e desestabilizador de capitais para o Brasil.

"A consolidação fiscal está pesando no crescimento de muitas economias avançadas. Concordamos com o Fundo que estas economias, com espaço suficiente (para expansão de gastos), deveriam reduzir o passo do ajuste fiscal e deixar os estabilizadores automáticos operarem", dirá o ministro.

"Algumas delas podem inclusive introduzir estímulos fiscais. A Alemanha e alguns países do norte da Europa, por exemplo, podem estar aptos a adotar políticas fiscais mais flexíveis. Isto não só ajudaria a demanda global, como facilitaria o reequilíbrio dentro da zona do euro."

Mantega usará um tom crítico para falar das políticas de expansão monetária adotada pelos países desenvolvidos para conter os efeitos da crise – e criticará o FMI por não apoiar os países emergentes que tentam se defender.

"Algumas economias estão pagando um alto preço pelas políticas monetárias ultrafrouxas das economias avançadas. O aumento na liquidez global rapidamente encontra sua direção para as economias emergentes, especialmente aquelas com fundamentos econômicos mais fortes, como o Brasil", alertará.

"O governo brasileiro permanece comprometido a fazer o que julgar necessário para conter os fluxos excessivos e voláteis de capital através de uma combinação de intervenção nos mercados de câmbio à vista e futuros, medidas macroprudenciais e controles de capital."

'Endosso do FMI'

Para Mantega, "o FMI endossou firmemente as políticas monetárias nos países avançados, incluindo as medidas recentes tomadas pelo Banco Central Europeu.

De acordo com o ministro, o FMI "tem sido mais relutante, porém, em apoiar as medidas defensivas que algumas economias emergentes estão sendo obrigadas a tomar em resposta ao efeito de contágio dessas políticas”.

"Políticas de gerenciamento da conta de capital ainda precisam ser aceitas pelo Fundo como uma parte normal do kit de políticas econômicas."

Por fim, o ministro dirá que o Brasil "está profundamente preocupado" com o ritmo lento de implementação das mudanças de cota e governança decididas pelo Fundo em 2010. Estas reformas precisam ser adotadas até outubro deste ano.

Mantega disse que "temos seis meses restantes e estamos (os países) ainda longe de alcançar" a aprovação das reformas nos respectivos Legislativos. Uma nova fórmula para a distribuição de poder no FMI começou a ser estudada. O modelo deve ser aprovado no ano que vem e posto em prática em 2014.

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