Para Lagarde, Brics nunca condicionaram aporte ao FMI

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde Direito de imagem AP
Image caption Lagarde disse que sempre houve 'determinação crucial' dos emergentes em reforçar caixa do Fundo

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse neste sábado que nunca viu "condicionalidade" na barganha de Brasil, Rússia, Índia e China (os Bric) de não anunciar valores fixos de aporte ao caixa do Fundo antes de um "compromisso" dos seus membros com reformas para dar mais poder de voto a emergentes.

Em entrevista coletiva em Washington, Lagarde disse que a barganha "nunca foi expressada como uma condição" e ressaltou que sempre houve uma "determinação crucial" dos emergentes em reforçar o caixa do Fundo para futuras crises – no entanto, "uns mais que outros", disse.

Os Bric são de longe o principal grupo entre os países que não anunciaram valores exatos com os quais contribuirão para reforçar o caixa do FMI. Mas Lagarde ressaltou que apesar disto "houve um compromisso definitivo de participar na tarefa".

Embora oficialmente o grupo não tenha comunicado seus valores, houve dúvidas se alguns membros – como China e Rússia – não o fizeram em privado.

A dúvida foi levantada na sexta-feira, depois que um vice-ministro russo chegou a falar em uma contribuição de US$ 10 bilhões de seu país – depois a Rússia voltou atrás.

Condições e garantias

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse a jornalistas que o conjunto aguardará até mais perto da reunião do G20 (o grupo das principais economias avançadas e emergentes) em junho, no México. Ele explicou que a estratégia tem a finalidade "amadurecer as demandas".

Uma das condições reivindicadas pelos emergentes é que o Fundo avance com a reforma de cotas iniciada em 2010 – que aumentaria o poder de voto do Brasil.

A mudança precisa ser ratificada nos Legislativos de todos os países até outubro deste ano, mas isto ainda precisa ocorrer em quase um quinto deles.

Ao longo das reuniões, o FMI reforçou seu compromisso com essas reformas em suas principais declarações – nas palavras de Mantega, "do jeito que queremos". Neste sábado, a declaração final do encontro ressalta o compromisso de forma "urgente".

"Reafirmamos a urgência de efetivar a reforma de cotas e governança de 2010 até o Encontro Anual de 2010 (em outubro no Japão), a fim de melhorar a legitimidade e credibilidade do Fundo", diz o documento.

"Pedimos aos membros que ratifiquem prontamente essas reformas e ao Fundo que monitore o progresso de forma transparente e mais frequente. Esperamos um acordo, até janeiro de 2013, em torno de uma fórmula simples e transparente de cota que reflita melhor as posições relativas dos membros na economia."

A declaração prossegue, dizendo que "qualquer realinhamento deve resultar em aumentos nas proporções de cotas das economias dinâmicas, em linha com suas posições relativas na economia mundial, e portanto provavelmente na fatia dos mercados emergentes e em desenvolvimento em geral".

Após a divulgação do comunicado, Christine Lagarde disse que o tema recebeu "um forte endosso" do FMI.

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