Brasileira milita em campanha londrina por mais segurança para ciclistas

Virginia Machado, de vermelho, faz campanha por uso de bicicletas em Londres Direito de imagem London Cycling Campaign
Image caption Brasileira (no centro da foto) passou a militar por grupo pró-ciclista de Londres

A mineira Virginia Perrotti Machado, 29 anos, esteve entre as milhares de manifestantes que foram às ruas de Londres no último dia 28, para pressionar o futuro prefeito da cidade a adotar mais medidas para garantir a segurança de ciclistas.

"Aqui em Londres, tenho uma bicicleta desde que cheguei (há sete anos), ainda que me sinta insegura nas grandes vias e cruzamentos", diz ela à BBC Brasil.

O uso de bicicletas na cidade virou tema de debate inédito na campanha eleitoral pela prefeitura, que culmina com as eleições que estão sendo realizadas nesta quinta-feira.

Os ciclistas têm crescido em número fortalecido o seu lobby. Segundo o grupo ativista London Cycling Campaign, cerca de 540 mil viagens diárias são feitas sobre duas rodas na cidade – número significativo em uma metrópole de 8 milhões de habitantes.

'Go Dutch'

O grupo lançou a campanha "Go Dutch" ("Faça como os holandeses", em tradução livre), alegando que, em Amsterdã, entre 25% e 37% das jornadas diárias são feitas em bicicletas, contra 2,5% em Londres.

Os defensores do modelo holandês dizem que este inclui ciclovias separadas das pistas rápidas de rodovias, sinalização específica em cruzamentos e redução no limite de velocidade em vias menores.

"Não queremos o que acontece em São Paulo, onde vias (rápidas) de seis pistas inviabilizam o ciclismo", declarou à BBC Brasil o ativista Tom Bogdanowicz, do London Cycling Campaign. "Queremos que o futuro prefeito se comprometa com uma Londres mais segura e habitável para ciclistas."

Image caption Manifestantes pedem a adoção de medidas de segurança semelhantes às adotadas pela Holanda

"No Brasil não há respeito ao ciclista. São considerados de classe inferior, porque o carro é sinônimo de status. A sensação é de risco de vida a cada momento (em que se anda de bicicleta)", opinou Virginia, que também passou a militar pelo London Cycling e a coletar a assinatura de londrinos para a campanha "Go Dutch".

Dificuldades

Por trás do debate nas grandes cidades existe uma dificuldade inerente em inserir as bicicletas na equação do trânsito de uma forma pacífica, opina o engenheiro de trânsito Ken Huddart, que nos anos 1980 comandou um projeto ciclístico oficial em Londres.

Segundo ele, até mesmo na Holanda andar de bicicleta ainda é mais perigoso do que andar de carro.

"A exposição (das bicicletas) é constante. Em Londres, elas trafegam ao lado dos ônibus (à esquerda) porque é o único lugar onde podem ser colocadas", diz ele. "O esforço é para minimizar o risco, deslocá-las para vias menores e mais lentas, mas isso só funciona para quem está a passeio. Quem (está se deslocando ao trabalho) quer as rotas mais rápidas e curtas."

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