CPI de Cachoeira 'promete espalhar mais sujeira do que o normal', diz 'Economist'

Demóstenes Torres (José Cruz/ABr) Direito de imagem ABr
Image caption Revista cita envolvimento do senador Demóstenes Torres e de outros políticos

O escândalo do esquema de corrupção comandado pelo empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o "Carlinhos Cachoeira", "promete espalhar mais sujeira do que o normal", diz a edição da revista britânica The Economist que chegou às bancas nesta sexta-feira.

A revista diz que escândalos como esse seriam comuns em Brasília, mas que a CPI que investigará o caso coloca políticos de todos os partidos na berlinda.

A reportagem cita o envolvimento do senador Demóstenes Torres e de outros políticos – e lembra que Torres foi descrito como um homem de "princípios e convicções" em uma lista dos cem brasileiros mais influentes publicada em 2009 pela revista Época.

"Até agora, os custos políticos da investigação parecem recair sobre a oposição ao governo de centro-esquerda de Dilma Rousseff", diz o texto.

"Mas as revelações não são necessariamente um presente político para Rousseff."

Planos

Segundo a reportagem, apesar de a linha dura adotada pela presidente contra a corrupção desde o início de seu governo lhe garantir "uma reserva de credibilidade com o público", os resultados de CPIs costuma ser imprevisíveis.

"Mesmo que Rousseff saia politicamente ilesa, a investigação provavelmente irá atrapalhar alguns de seus planos", diz o artigo, citando a votação sobre a distribuição dos royalties do pré-sal e projetos de infra-estrutura para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que podem ser atrasados, especialmente pelo envolvimento da construtora Delta, que está sendo investigada.

"Quanto mais a podridão na política brasileira é exposta, menor o número de políticos nos quais os brasileiros sentem que podem confiar", diz a revista.

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