Grécia vai às urnas em meio a clima 'antiausteridade'

Mulher vota em Atenas (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Partidos centristas devem perder votos para radicais na Grécia

Os gregos foram às urnas, neste domingo, em eleições parlamentares nas quais os dois principais partidos devem perder votos para candidatos contrários às medidas de austeridade, impostas pelo governo em troca de ajuda financeira internacional.

O partido Pasok, de centro-direita, e o Nova Democracia, de centro-esquerda, fazem parte de uma coalizão desde novembro do ano passado.

Os dois partidos dominam a política grega desde os anos 70, mas muitos eleitores estão desiludidos com a forma como eles lidaram com a crise da dívida no país, e revoltados com a suposta corrupção no governo.

Uma série de partidos menores deve se beneficiar com o enfraquecimento destas potências políticas, desde comunistas aos representantes da extrema-direita, mas nenhum partido deve conseguir a maioria no Parlamento.

Segundo as pesquisas de boca-de-urna, o conservador Nova Democracia deve se tornar o maior partido no Parlamento, com algo entre 17 e 20% dos votos. Em segundo lugar, ficaria uma coalizão de partidos de esquerda, Syriza, que se opõe aos cortes do governo, com entre 15,5 e 18,5%, seguida de perto pelo socialista Pasok, em terceiro lugar, com entre 14 e 17%.

O partido anti-imigração Amanhecer Dourado poderia obter 5% dos votos e conseguir um assento no Parlamento pela primeira vez.

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Mais cortes

A habilidade de formar um novo governo que siga com as medidas acordadas em troca de ajuda internacional é crucial para que o país continue a ter acesso ao pacote de resgate oferecido pela União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.

Qualquer sinal de instabilidade política poderia levantar dúvidas sobre a permanência da Grécia na zona do euro.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, disse que se qualquer novo governo grego se desviar de seus compromissos fiscais, o país "sofrerá as consequências".

De acordo com o programa atual, será preciso cortar mais 11 bilhões de euros do orçamento grego no mês de junho.

'Pobreza'

O líder do partido Pasok, Evangelos Venizelos, disse, em seu discurso final antes das eleições, na sexta-feira, que os gregos enfrentam uma escolha entre continuar com o programa de austeridade para seguir na zona do euro ou a "pobreza em massa".

Venizelos, que era ministro das Finanças até março, disse que os gregos podem optar "por ficar em um caminho que é difícil, mas seguro" ou "embarcar em uma aventura, regredindo décadas e levando o país à moratória, fazendo com que os gregos enfrentem a pobreza em massa".

Ao colocar seu voto na urna, na manhã deste domingo, Venizelos foi vaiado por eleitores.

Já o mais jovem líder político da Grécia, Alexis Tsipras, que tem 38 anos e é do partido Coalizão de Esquerda, fez um apelo para que todos os partidos de esquerda se unam contra as medidas do governo.

"Temos certeza de que o povo grego mandará uma mensagem de mudança de curso para a Europa. Não há mais espaço para o selvagem acordo de resgate no nosso caminho europeu", disse ele após votar.

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