Alemanha reafirma austeridade ante divergência com novo presidente francês

Atualizado em  7 de maio, 2012 - 15:12 (Brasília) 18:12 GMT
Angela Merkel. Getty

Para Angela Merkel, chanceler alemã, o pacto fiscal europeu não é "negociável".

Um dia depois da vitória do candidato socialista François Hollande nas eleições presidenciais da França, a chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou seu compromisso com o pacto fiscal da União Europeia que, segundo ela, não está aberto à "negociação".

A defesa das medidas de austeridade pela chefe do governo da Alemanha ocorre em meio à tentativa já anunciada pelo recém-eleito presidente francês de reabrir o debate sobre o acordo, desenhado para fortalecer a disciplina fiscal dos 25 países que hoje compõem o bloco econômico europeu.

A indefinição nos rumos da economia europeia foi sentida pelos mercados, que encararam com pessimismo a chegada dos socialistas franceses à presidência, após uma lacuna de 17 anos, desde o fim do governo de François Mitterrand.

As principais bolsas asiáticas terminaram o pregão desta segunda-feira em queda. A Bolsa de Tóquio caiu 2,78%, enquanto a de Hong Kong, 2,61%.

Na Europa, a Bolsa de Londres (índice FTSE-100) fechou em queda de 1,93. Já os mercados alemão e francês se recuperaram do nervosismo inicial e terminaram o pregão em alta de 0,12% e 1,65%, respectivamente.

Hollande, que derrotou o ex-presidente francês e candidato à reeleição Nicolas Sarkozy no último domingo, com 51,62% dos votos válidos, afirmou logo após a vitória que desejava renegociar o acordo de disciplina orçamentária firmado por líderes europeus em março passado, sob forte influência do governo alemão.

O recém-eleito presidente francês já deu sinais de que quer tomar medidas que elevem o crescimento do país pelo lado do afrouxamento fiscal e não do corte de gastos públicos, como defende a Alemanha.

"A Europa está de olho em nós; a austeridade não pode mais ser a única alternativa (ao crescimento)", declarou Hollande em seu primeiro discurso ao saber do resultado das eleições.

Fortalecido pelo mau andamento da economia francesa e pela crescente impopularidade de Sarkozy, Hollande saiu-se vitorioso com a promessa de que aumentará os impostos sobre grandes corporações e indivíduos com salários acima de 1 de milhão de euros por ano.

O socialista pretende aumentar o salário mínimo, contratar 60 mil novos professores e reduzir a idade mínima de aposentadoria de 62 para 60 anos para algumas profissões - esta última uma das mudanças promovidas pelo governo Sarkozy.

Para Merkel, que apoiou publicamente o ex-presidente francês em sua corrida à Presidência, a eleição de Hollande compromete seus planos de unir a UE em torno da diminuição do déficit e da dívida públicos, dizem analistas.

A chanceler alemã felicitou o colega francês pela vitória e o convidou a viajar a Berlim para discutir os novos rumos do plano fiscal, mas alertou, em uma coletiva de imprensa, que o acordo não é "negociável".

A presidente Dilma Rousseff emitiu nota em que também parabenizou Hollande pela eleição. No comunicado, Dilma diz ao colega que acompanhou "com grande interesse" as propostas para vencer a crise que favoreçam "o crescimento, o emprego, a inclusão e a justiça social".

As propostas de Hollande corroboram com algumas críticas feitas pelo governo brasileiro às medidas de austeridade na Europa. Na nota, Dilma disse que espera "compartilhar posições comuns nos foros internacionais – dentre eles o G20 – que permitam inverter as políticas recessivas, ainda hoje predominantes, e que, no passado, infelicitaram o Brasil e a maioria dos países da América Latina".

Pacto fiscal

Hollande/AP

Hollande tem posições parecidas à da presidente Dilma Rousseff, que o parabenizou pela eleição

Hollande tem pela frente a difícil tarefa de impulsionar o crescimento da economia da França, estimado em ínfimo 0,5% neste ano, de acordo com previsões do FMI, e de, principalmente, domar uma dívida pública de 1,4 trilhão de euros, ou 85% do PIB do país.

Mas sua intenção de promover a retomada econômica por meio do aumento dos gastos públicos esbarra nas resoluções do pacto fiscal estipulado na última cúpula da UE em janeiro passado - e que entrará em vigor em 1º de janeiro do ano que vem, se 12 países-membros da zona do euro ratificarem o documento.

O principal objetivo do acordo é obrigar os países-membros da UE a cumprir com a chamada "regra de ouro", que determina um teto de 0,5% do PIB para o déficit anual.

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