Esquerda grega tenta formar governo com promessa de 'rasgar' acordo com UE

Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption O líder da esquerda grega propõe a partidos de centro que abandonem compromisso com cortes

O líder da frente de partidos de esquerda no parlamento grego, a Syriza, disse que vai tentar formar uma coalizão com a intenção de "rasgar" os termos do acordo de resgate da UE/FMI.

À frente do bloco que ficou em segundo lugar na votação de domingo e que agora foi incumbido de tentar formar um governo, Alexis Tsipras disse que os eleitores gregos "claramente anularam o contrato de empréstimo".

Tsipras tem três dias para tentar fechar um acordo de coalizão e informou aos dois principais partidos do país, Pasok e Nova Democracia, que deveriam desistir do apoio aos termos de austeridade se quiserem participar.

A Comissão Europeia, órgão Executivo da União Europeia e a Alemanha querem que o país mantenha os cortes previstos no acordo.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse nesta terça-feira: "O que os Estados membros têm a fazer é ser consistentes e implementar as políticas com as quais concordaram."

Mas agora, depois do avanço de partidos contrários à imposição das medidas de austeridade em países como Grécia e França - onde os eleitores escolheram um novo presidente no domingo, François Hollande, que tem defendido um foco maior no crescimento econômico -, a União Europeia poderá ter que considerar novas ideias para determinar a rota de recuperação econômica de vários de seus países.

No próximo dia 23, os líderes europeus ouvirão novas propostas de Hollande em um encontro informal do bloco.

A chanceler alemã, Angela Merkel, enviou carta ao presidente eleito francês, dizendo que "cabe a nós... preparar nossas sociedades para o futuro e proteger e promover a prosperidade de forma sustentável".

'Prosperidade de forma sustentável'

O crise da dívida provocou grande agitação social na Grécia e levou a uma profunda desconfiança quanto aos partidos considerados arquitetos de austeridade.

Na segunda-feira, o líder do partido de centro-direita Nova Democracia (ND), Antonis Samaras, abandonou as tentativas de formar uma coalizão.

Em troca de dois pacotes de resgate - no valor de um total de 240 bilhões de euros - a Grécia concordou em fazer cortes profundos nas pensões, aumentar impostos e cortar milhares de empregos no setor público.

Os votos dos partidos que apoiaram os pacotes de austeridade foram drenados nas eleições de domingo em favor dos pequenos partidos à esquerda e à direita. A frente Syriza amealhou quase 17% dos votos. Mas, como a ND ficou em primeiro, teve um bônus de 50 assentos no Parlamento, e foi inicialmente convidado a formar governo.

Se o Syriza não conseguir formar um governo, caberá ao terceiro colocado nas eleições, o Pasok, tentar montar uma coalizão. ND e Pasok integravam o gabinete que assinou o acordo de austeridade com o FMI e a UE.

Caso nenhum partido consiga formar um governo, serão convocadas novas eleições no país.