Londres 2012: Saiba por que atletas de todo o mundo estão treinando na Grã-Bretanha para os Jogos

Atualizado em  15 de maio, 2012 - 06:17 (Brasília) 09:17 GMT
Judoca Sisilia Naisiga Rasokisoki, das Ilhas Fiji, está treinando em Kendal.

Judoca Sisilia Naisiga Rasokisoki, das Ilhas Fiji, está treinando na cidade de Kendal

Chineses em Leeds, camaronenses no condado de Aberdeenshire, na Escócia, Jamaicanos no campus de uma universidade em Birmingham: atletas do mundo inteiro vêm treinando na Grã-Bretanha para os Jogos Olímpicos, que começam em julho. Por quê?

Um óbvio incentivo à vinda dos atletas são as 25 mil libras (cerca de US$ 40 mil) que o governo britânico está oferecendo a cada comitê olímpico ou paraolímpico que trouxer atletas para treinar na Grã-Bretanha.

"Levou uma semana para eu me adaptar à mudança de fuso, mas semanas para superar o mau-tempo", diz a judoca Sisilia Naisiga Rasokisoki, das Ilhas Fiji, que está morando, temporariamente, na cidade de Kendal, no condado de Cumbria, Inglaterra.

A veterana das Olimpíadas de 2004 e 2008 em Atenas e Pequim, com 32 anos, chegou ao país em janeiro.

Ela é uma entre centenas de atletas que estão se espalhando por campos de treinamento em diversos pontos do país no período que antecede os jogos.

Desde meados da década de 1990, esses campos vêm se tornando cada vez mais importantes no processo de preparação de atletas antes de competições.

Além deles, também há campos de preparação, onde os atletas olímpicos se reúnem na reta final de treinamento, logo antes do início do evento.

Incentivo

Os incentivos financeiros oferecidos pela Grã-Bretanha para atrair atletas em treinamento favorece e atrai as equipes menores.

Esta também foi uma das maneiras encontradas pelos organizadores dos Jogos de distribuir os benefícios econômicos gerados pelo evento por todo o país: atletas e suas equipes de apoio se hospedam durante semanas, e até meses, em várias cidades britânicas, gerando riqueza e empregos às economias locais.

A estratégia está resultando em combinações inesperadas.

Boxeadores de Gana, na África, estão se instalando na cidade de Plymouth. Atletas de Lesoto, também na África, escolheram Wrexham. Um solitário competidor da equipe sueca de ciclismo de montanha optou pela cidade de Innerleithen, na Escócia. Nadadores israelenses escolheram Corby, boxeadores cubanos seguem para Belfast, na Irlanda do Norte. Judocas ucranianos e de Belarus, na antiga União Soviética, escolheram Tonbridge e portoriquenhos decidiram ficar na cidade histórica inglesa de Canterbury.

Do Brasil, as equipes de judô e de boxe treinarão na cidade de Sheffield, no norte da Inglaterra, e a ginástica feminina ficarão em Ipswich, no leste do país.

Algumas delegações são bem grandes: a equipe da China, com nada menos do que 300 atletas, deve dominar a cidade de Leeds, no norte da Inglaterra. E as famosas equipes de atletismo dos Estados Unidos e da Jamaica estão seguindo para a metrópole inglesa de Birmingham.

Reputação Internacional

Bandeiras internacionais

Atletas de todo o mundo estão treinando ou treinarão na Grã-Bretanha para os Jogos de 2012

Mas os incentivos econômicos não são a única razão pela qual os competidores estão dispostos a treinar na Grã-Bretanha.

"É estranho", disse Mike Liptrott, treinador da judoca de Fiji Rasokisoki. "Mas Kendal é uma referência importante no mundo do judô", diz.

A cidade inglesa abriga o Kendal Judo Club, onde a judoca está treinando. "Todos no mundo do judô conhecem a cidade", comenta.

O clube foi reformado em 2006 e oferece à atleta não apenas o espaço adequado para treinamento como também acomodação, fisioterapia, alimentação e controle de peso.

Ela também pode receber aconselhamento em assuntos como forma física, táticas e oportunidades de competir na Europa.

Uma realidade completamente diferente da que ela vive em Fiji, onde precisa gerenciar seu próprio treinamento e dieta e, simultaneamente, cuidar da filha de um ano e meio de idade.

No campo de treinamento em Kendal, o foco é trabalhar para tentar realizar seu potencial nas Olimpíadas.

"A grande diferença é que quando estou em casa faço tudo sozinha, não tem ninguém para me dar um empurrãozinho", diz a judoca.

"Aqui, o estilo pesado de treinamento foi um choque. Eles afiaram meu judô para tornar minha técnica mais explosiva e mais efetiva."

"Tudo isso ajuda muito meu preparo para os Jogos", diz.

'Tique' Olímpico

Temporadas mais curtas, de 10 ou 12 dias, em um campo de treinamento logo antes do início das Olimpíadas oferecem a treinadores e suas equipes algo que é vital para o sucesso de um atleta: o controle sobre certas variáveis, como as condições climáticas, por exemplo.

"(Os campos) te dão o controle sobre onde você se hospeda, a que tipo de clima você expõe o atleta", disse o treinador da equipe de mountain bike britânica Phil Dixon.

"É o ambiente perfeito para você colocar seu atleta", diz. "Antes dos Jogos Olímpicos, um campo de preparação tem treinadores, equipes médicas, de mídia, logística e suporte mecânico."

"Exige-se muito dos atletas", explicou Dixon. "Dessa forma você cria um ambiente de nível internacional", diz.

Atletas mais jovem se aprimoram ao treinar com atletas mais experientes. E voar cedo para o país tira do caminho preocupações com viagem, logística e equipamento.

Os campos também neutralizam o que o judoca Chris Bowles - que representou a equipe britânica em Moscou em 1980, hoje anfitrião das equipes da Ucrânia e Belarus no Tonbridge Judo Club - chama de "tique olímpico".

Atletas que já conheceram o local da competição e se ajustaram ao fuso estão melhor preparados para lidar com a pressão e atmosfera no momento da competição.

Recursos

Instalações da Universidade de Birmingham que serão usadas pelos atletas da Jamaica

Atletas jamaicanos treinarão nas instalações da Universidade de Birmingham

E para as cidades anfitriãs, a esperança é de que as delegações de atletas contribuam para a economia local.

Segundo cálculos da prefeitura de Birmingham, as equipes de atletas da Jamaica e Estados Unidos deverão injetar na região cerca de US$ 32 milhões

Os atletas da Jamaica Usain Bolt (ganhador de três medalhas de ouro olímpicas e recordista mundial), Yohan Blake (campeão mundial na prova dos 100m) e Asafa Powell (também ganhador de uma medalha de ouro olímpica), integram uma delegação com 70 jamaicanos que se hospedarão na University of Birmingham.

É a primeira vez que a equipe inteira de atletismo do país vai se reunir em um só campo de treinamento antes das Olimpíadas.

A equipe amaricana vai se hospedar em um hotel na cidade e treinar no Alexander Stadium, um estádio internacional de atletismo.

A cidade, dona de reputação como centro esportivo, saiu no encalço das duas equipes, estrelas do atletismo mundial, assim que Londres foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos.

"A animação é imensa, especialmente porque temos 60 mil jamaicanos vivendo em Birmingham", disse a diretora de esportes da universidade, Zena Wooldridge.

"É uma oportunidade incrível, mas também um grande desafio", diz.

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