Grécia e Espanha voltam a preocupar Europa em crise

Olli Rehn | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Comissário europeu para assuntos econômicos e monetários divulgou estimativas para 2012 e 2013

As incertezas políticas na Grécia e a dificuldade da Espanha em salvar seus bancos voltaram a por a Europa em alerta nesta sexta-feira. Além dos problemas em duas de suas mais debilitadas economias, a previsão de encolhimento do PIB em 0,3% em 2012 aprofunda a crise na zona do euro.

As estimativas da Comissão Europeia (CE) confirmam a contração econômica da zona da moeda única integrada por 17 países para este ano. O crescimento deverá ser de apenas 1,3% para 2013.

Em outro sinal de pessimismo, o presidente da CE, José Manuel Barroso, disse em entrevista à emissora italiana SkyTG24 que a Grécia terá que abandonar a zona do euro caso não cumpra seus acordos.

"Eu tenho muito respeito pela democracia grega e pelo Parlamento grego, mas também tenho respeito pelos outros 16 Parlamentos. Se os acordos não forem respeitados, isto significa que não teremos condições de continuar com um país que não honra seus compromissos", disse.

Já Olli Rehn, comissário europeu para assuntos econômicos e monetários, disse que a zona do euro tem "uma recuperação à vista", embora as previsões ainda sejam sombrias.

"A situação econômica continua frágil, com a manutenção de grandes disparidades entre os estados-membros", acrescentou.

"A atividade econômica na União Europeia sofreu contração no último trimestre de 2011 e estima-se que isso também ocorreu no primeiro trimestre de 2012", disse o comunicado da CE.

De acordo com preceitos econômicos, dois trimestres consecutivos de contração tendem a indicar um processo de recessão no período seguinte.

As estimativas de Bruxelas chegam em meio à polarização do debate sobre a resolução da crise. Para a Alemanha, maior economia do bloco, a estratégia deve continuar sendo a aplicação das medidas de austeridade e contenção fiscal.

É o que defende a chanceler (premiê) Angela Merkel, que vem deixando claro que o pacto fiscal para ajuste das contas dos países do bloco não pode ser renegociado, como proposto pelo novo presidente francês, François Hollande, que defende o crescimento como nova estratégia para a saída da crise.

Espanha

Números individuais apontam que o único país que deve registrar contração em 2013 é a Espanha, onde a atividade econômica pode ser reduzida em até 0,3%.

A CE prevê ainda que o desemprego espanhol deverá continuar sendo o maior da União Europeia, com uma taxa de até 24,4% neste ano e 25,1% em 2013.

Em comparação, a taxa de desemprego na zona do euro deve atingir 11% neste ano. Os números desalentadores chegam em meio a um esforço do governo espanhol para recapitalizar os bancos.

Madri deve forçar os bancos a tomarem empréstimos de mais 30 bilhões de euros como garantias contra o risco de inadimplência.

Caberá ao sistema bancário do país levantar os recursos ou emprestar do governo, a taxas anuais de cerca de 10%.

O governo já se disponibilizou a tomar as medidas necessárias para restaurar a credibilidade de seu sistema financeiro e disse que no caso de os bancos recorrerem a empréstimos públicos, Madri deve organizá-los de forma que em última instância possam ser convertidos em estatizações parciais.

No início da semana a Espanha comprou 45% do Bankia.

Em seu comunicado, a CE disse ainda que o deficit espanhol seria de 6,4% neste ano e 6,3% em 2013. No entanto, o ministro da Economia, Luis de Guindos, disse que seu país conseguirá atingir a meta de deficit de 5,3% neste ano e 3% no ano seguinte.

Grécia

Em seu comunicado, a CE manteve as previsões pessimistas para a Grécia.

De acordo com as estimativas de Bruxelas, o país deve ter contração da atividade econômica de 4,7% neste ano, crescimento zero em 2013 e taxa de desemprego de 19,7% em 2012.

Os números chegam em meio à dificuldade das forças políticas de formarem um novo governo no país. Cinco dias após as eleições parlamentares do último domingo, a terceira tentativa de formação de uma coalizão fracassou.

O ex-ministro das Finanças Evangelos Venizelos abandonou os esforços de articulação política, o que deixa em aberto a possibilidade de o país convocar eleições antecipadas e aumenta os rumores de que Atenas possa abandonar a zona do euro.

As declarações do presidente da CE, José Manuel Barroso, sobre a eventual saída da Grécia da zona do euro caso os acordos sejam descumpridos, deve acrescentar mais pressão à volátil situação política em Atenas.

"Eu tenho muito respeito pela democracia grega e pelo Parlamento grego, mas também tenho respeito pelos outros 16 Parlamentos. Se os acordos não forem respeitados, isto significa que não teremos condições de continuar com um país que não honra seus compromissos", disse.

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