Franceses levam 'magia' da fotografia a região remota do Afeganistão

Atualizado em  17 de maio, 2012 - 06:01 (Brasília) 09:01 GMT
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    Os franceses Fabrice Nadjari e Varial fizeram fotos de moradores do Corredor Wakhan, no Afeganistão, em preto e branco, segurando fotografias instantâneas coloridas deles mesmos, para o projeto "Traces of time" (Vestígios do tempo, em tradução livre). Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    “A foto acima foi feita do lado de fora de uma escola em que o homem ao centro é professor. Ele tentava descontrair seus alunos segurando a fotografia instantânea de maneira divertida. Com isso, conseguiu que todos os estudantes fossem fotografados”, conta Nadjari à BBC Brasil. Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    “Erjal é filho de um dos chefes da vila Kash Goz. Quando tiramos sua foto, ele insistiu em usar uma vestimenta militar. Essa vila é uma das mais remotas e composta apenas pela família do retratado”, diz Nadjari. Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    O fotógrafo disse que o homem na foto, Jawai, "é usuário de ópio e foi uma das pessoas mais enigmáticas que conhecemos no Corredor. Na foto instantânea, ele posa ao lado de sua esposa.” Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    Os franceses dizem que as fotos instantâneas seriam coloridas e o retrato geral seria em branco e preto para "brincar com a noção do tempo e fazer o presente parecer o passado e o passado parecer o presente”, afirma Varial. Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    “Era incrível quando as presenteávamos com as fotos, especialmente para aquelas que nunca haviam visto a sua própria imagem”, diz Nadjari. Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    Ramine, o homem da foto, estava viajando pelo Corredor Wakhan para vender iaques (espécie de boi encontrada na Ásia) para os locais, segundo Nadjari. "Ele nos disse que a fotografia era um dos mais lindos presentes que ele já havia recebido." Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    Os fotógrafos dizem que o clima rigoroso e a alta altitude da região fizeram com fotografias instantâneas sofressem degradação rapidamente. Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    O Corredor Wakhan é uma estreita faixa ao nordeste do Afeganistão. A região fica entre as cordilheiras de Pamir e Hindu Kush e faz fronteira com China, Tajiquistão e Paquistão. Foto: Fabrice Nadjari e Varial
  • Foto: Fabrice Nadjari e Varial
    “Essas pessoas são suspensas no tempo. As descrições de Marco Polo no século 13 sobre as pessoas da descencência Wakhi ou nômades são as mesmas que podem ser feitas hoje, pouca coisa mudou em 600, 700 anos", diz Varial. Foto: Fabrice Nadjari e Varial

Suspensos no tempo

Os fotógrafos franceses Fabrice Nadjari e Cedric Houin (que usa o nome artístico de Varial), fizeram retratos de moradores do Corredor Wakhan, uma estreita faixa ao nordeste do Afeganistão. A região fica entre as cordilheiras de Pamir e Hindu Kush e faz fronteira com China, Tadjiquistão e Paquistão.

Com o projeto "Traces of Time" (Vestígios do Tempo, em tradução livre), os fotógrafos queriam interagir com os fotografados. Fabrice e Varial levaram 200 filmes instantâneos para viagem com a ideia de dar algo em troca para as pessoas de Wakhan.

"Era incrível quando as presenteávamos com as fotos, especialmente para aquelas que nunca haviam visto a sua própria imagem", disse Nadjari à BBC Brasil.

O clima rigoroso e a alta altitude da região foram marcantes para o projeto. Quando fotografavam, era necessário aguardar de dez a quinze minutos para ver a imagem. Porém, elas sofriam degradação rapidamente. "Isso foi a primeira impressão que tivemos com a natureza de lá deixando seu rastro e queríamos também deixar o nosso", diz Nadjari.

Os franceses decidiram que as fotografias instantâneas seriam coloridas e o retrato geral seria em branco e preto. "Nós queríamos brincar com a noção do tempo e fazer o presente parecer o passado e o passado parecer o presente", afirma Varial.

"As imagens coloridas parecem ter sido feitas há décadas atrás, na década de 60 ou 70, no início da fotografia colorida. Já as em preto e branco parecem ser mais antigas ainda, poderiam facilmente terem sido feitas no começo da fotografia em preto e branco."

"Essas pessoas são suspensas no tempo. As descrições de Marco Polo no século 13 sobre as pessoas da etnia Wakhi ou nômades são as mesmas que podem ser feitas hoje, pouca coisa mudou em 600, 700 anos."

Para chegar a Wakhan, os fotógrafos precisaram de quatro vistos, porque passaram por regiões que não são controladas pelo governo afegão. "Não foi possível passarmos por Cabul, pois teríamos que atravessar toda a zona de guerra. Duas ou três vezes ao dia éramos abordados por diferentes grupos de guardas, às vezes até soldados, em uma parte do corredor", relembra Nadjari.

A primeira parte do corredor foi percorrida de carro. "Em dois dias, fizemos apenas 100 quilômetros. Quando chegamos na última vila, não podíamos mais continuar de carro então caminhamos por mais 25 dias. Quase não encontramos ninguém no caminho, apenas alguns Wakhi com suas cabras e poucas tribos quirguizes. Elas são comunidades muito pequenas, praticamente só uma família com algumas gerações vivem juntas", disse Varial à BBC Brasil.

Fabrice e Varial eram melhores amigos durante a infância em Paris, mas perderam contato quando Varial mudou-se com os pais aos 9 anos. Em 2010, 23 anos depois, os dois, baseados em Nova York, se reencontraram pelas redes sociais e decidiram fazer uma viagem para celebraram o encontro e trabalharem juntos em um projeto.

Conheça mais sobre o projeto de Nadjari e Clique Varial no site: Clique www.wakhan-anotherafghanistan.com

*Colaborou Jéssica Fiorelli

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