Dissidente cego parte 'com discrição' para os EUA

O ativista Chen Guancheng, no aeroporto Direito de imagem AP
Image caption Chen Guancheng foi levado de um hospital para o aeroporto de Pequim

O dissidente chinês Chen Guangcheng, que foi o pivô de uma crise diplomática entre os Estados Unidos e a China, está a caminho dos Estados Unidos.

Mas a partida do ativista cego foi realizada, segundo o repórter da BBC em Pequim Martin Patience, de forma muito discreta.

Chen ganhou notoriedade mundial após realizar uma fuga cinematográfica de sua residência, na província de Shandong, no mês passado, onde estava em prisão domiciliar.

O ativista cego foi levado de um hospital em Pequim, onde estava recebendo tratamento, diretamente para o aeroporto, juntamente com sua família, em um voo com destino ao aeroporto de Newark, próximo a Nova York.

Chen recentemente havia passado seis dias na embaixada americana em Pequim, após ter conseguido escapar de sua residência, passando por barreiras de segurança e até mesmo pulando um muro, o que teria feito com o auxílio de sua mulher. Ao pular, ele teria quebrado o pé.

Chen Guangcheng é um advogado autodidata que protagonizou campanhas contra abortos forçados realizados dentro da política oficial chinesa de um filho por família. Em 2006, ele foi preso por acusações de haver danificado uma propriedade e de ter interrompido o trânsito. Ele foi submetido a prisão domiciliar em 2010.

Ele recebeu uma bolsa para estudar em uma universidade de Nova York.

Passado para trás

Segundo o repórter Martin Patience, agora, Washington e Pequim vão tentar passar adiante e deixar para trás o mal-estar diplomático associado ao caso do dissidente.

No curto-prazo, diz Patience, tanto a China como os Estados Unidos, poderão ver neste episódio um sinal de maturidade em sua relação, já que não houve uma escalada, com o incidente se transformando em algo mais grave.

Mas no longo prazo, comenta, o caso Chen ressaltou as profundas diferenças entre a maneira que uma suportência e uma potência ascendente veem o mundo.

''Não se tratou só de um indivíduo, mas sim de um tema - os direitos humanos na China. Chen disse nesta semana que teme que seus parentes e amigos sofram represálias'', afirma o repórter da BBC.

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