Senador boliviano diz que aguarda 'com cautela' decisão sobre asilo no Brasil

Senador boliviano Roger Pinto. Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Abrigado há dez dias em embaixada brasileira, senador boliviano Roger Pinto quer asilo

Abrigado há dez dias na embaixada do Brasil em La Paz, o senador da oposição boliviana Roger Pinto, disse que aguarda com cautela a decisão da presidente Dilma Rousseff sobre seu pedido de asilo político, para que possa se mudar para o Brasil.

Na semana passada, Pinto pediu asilo ao governo brasileiro alegando perseguições políticas por parte do governo do presidente Evo Morales, segundo explicou em entrevista exclusiva à BBC Brasil.

O Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) informou que “não há prazo” para que Dilma responda o pedido e que, no momento, a diplomacia brasileira está “em contato com autoridades bolivianas” para apurar o que ocorreu. A decisão da presidente será tomada “a partir destas consultas”.

Pinto afirmou que vários motivos o levaram a escolher o Brasil para pedir asilo político.

“O Brasil tem ampla tradição de conceder refúgio político e é o país com o qual a Bolívia tem a maior ligação. Estou otimista, mas aguardando com cautela a decisão da presidente Dilma”, disse.

Líder no Senado do partido opositor Convergencia Nacional (CN), o senador afirmou sofrer “perseguições políticas” ao procurar a embaixada brasileira em La Paz.

“A minha família estava com medo do que podia acontecer comigo. Estavam ameaçando até queimar nossa casa”, afirmou. O senador disse que sua esposa, uma das três filhas do casal e duas netas estão no Acre e as outras filhas e netos na Bolívia.

“Eu morei e estudei no Acre quando era adolescente e por isso falo português” disse. O senador afirmou que espera poder se mudar para o Brasil em 15 dias, realizando inicialmente uma visita à Brasília, onde pretende se reunir com a presidente Dilma.

“O governo boliviano deve me conceder o salvo conduto para que eu deixe o país e para isso é preciso primeiro a decisão da presidente Dilma”, disse.

A assessoria de imprensa do Itamaraty explicou que “não necessariamente” Dilma irá conversar com o presidente Evo Morales, podendo tomar a decisão a partir das informações da diplomacia brasileira.

'Irregularidades'

Ex-governador do Departamento (Província) de Pando, na fronteira com o Brasil, o senador é acusado por autoridades locais de diferentes irregularidades.

Uma reportagem do jornal La Razón, de La Paz, diz que "o senador tem pelo menos vinte processos na Justiça, nos tribunais de La Paz, Santa Cruz, Sucre e Cobija, que se referem principalmente a acusações de desacato, venda de bens do Estado e corrupção”.

Na semana passada, autoridades do governo reagiram contra o pedido refúgio na embaixada do Brasil.

“Não há presos políticos ou perseguição política (na Bolívia), mas acusados de atos de corrupção e infrações penais. Se ele acredita que não cometeu esses crimes pode ficar feliz e se defender”, declarou o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, à imprensa local.

O vice-presidente afirmou ainda que a Bolívia está “acostumada com muitos infratores que preferem fugir”. Assessores da Presidência da Bolívia e do Ministério das Relações Exteriores do país disseram à BBC Brasil que a questão não está entre as prioridades do governo.

“Algumas autoridades comentaram o assunto na semana passada, mas agora não”, afirmou a Presidência da Bolívia.

Já a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores da Bolívia afirmou: “Entendemos que esta não é uma questão que deve ser resolvida pelo governo boliviano, já que o senador não está sofrendo nenhum tipo de perseguição ou maltrato”.

Em nome do partido de Roger Pinto, o senador Bernard Gutiérrez defendeu o colega de legenda, dizendo, segundo o jornal Cambio, de La Paz: "O que ele fez foi denunciar atos de tráfico de drogas e de corrupção (de outros setores). E faremos de tudo para defendê-lo. A família de Pinto e ele mesmo foram ameaçados o que os levou a pedir ajuda política internacional ao Estado irmão do Brasil".

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