Reação a pacote para Espanha perde fôlego e temor por crise persiste

Atualizado em  11 de junho, 2012 - 15:50 (Brasília) 18:50 GMT
Santander | Foto: AFP

Agência de classificação Fitch reduziu nota de Santander e BBVA, maiores bancos da Espanha

Embora ainda seja visto de forma positiva, o pacote de ajuda no valor de 100 bilhões de euros obtido pela Espanha perdeu a força da reação inicial de otimismo nos mercados, que voltaram a aumentar os juros dos títulos do país e deram sinais de que encaram o empréstimo como uma medida de curto prazo.

O governo espanhol insiste em chamar os recursos aprovados no fim de semana de "empréstimo", embora a Alemanha e a Comissão Europeia tenham reiterado que manterão monitoramento rígido das exigências europeias em troca do pacote de ajuda financeira.

As principais bolsas de valores tinham aberto seus pregões em alta na manhã desta segunda-feira, impulsionadas pelas notícias do fim de semana, mas os prognósticos de continuada recessão na Espanha e reduções de notas de crédito de bancos do país voltaram a derrubar os mercados.

A agência de classificação de risco Fitch diminuiu sua avaliação de crédito do BBVA e do Santander, os dois maiores bancos da Espanha, citando como justificativa a redução da nota do país na semana passada e as estimativas negativas de crescimento.

Em particular a Fitch citou a previsão de que o país "continuará em recessão até o fim deste ano e 2013, ao invés do cenário que se esperava anteriormente, de uma leve recuperação em 2013, o que afeta diretamente o volume das atividades bancárias na Espanha".

Em reação, os juros dos títulos do governo espanhol subiram para 6,5% e da Itália para 6,032%, demonstrando a desconfiança dos investidores.

Em Nova York, o índice Dow Jones abriu em alta de 0,7% e até a metade da manhã já estava negativo. Em Londres, o FTSE 100 começou o dia em forte alta, mas fechou com ligeira queda.

Curto prazo

Em sua segunda recessão em três anos, a Espanha deve ter uma redução de sua atividade econômica em até 1,7% neste ano e, quanto mais a crise durar, mais difícil será o saneamento de seus bancos e das finanças públicas do país, alertam analistas e investidores, para quem a ajuda de 100 bilhões de euros soa cada vez mais como um "reparo de curto prazo".

"O anúncio espanhol não é uma solução para os problemas constantes da zona do euro, mas sim um comunicado de intenção", diz Richard Hunter, da corretora Hargreaves Lansdown. "Um tempo muito necessário foi obtido agora pela Espanha, o que deve permitir ao menos um suspiro de alívio temporário aos mercados."

Para Matthew Price, correspondente da BBC em Bruxelas, a preocupação com a Espanha cresceu progressivamente nos mercados nesta segunda-feira. "O medo foi aumentado após a Itália, outra grande nação da zona do euro que enfrenta dificuldades, ter anunciado que sua economia continua em contração", afirmou.

"Não importa o que os líderes da Espanha digam, este é um programa de ajuda financeira. Madri se tornará a quarta capital da zona do euro a ser visitada pelos 'homens de preto', como alguns os chamam: a troika, ou seja, os membros da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. Eles vão determinar as condições e exigências do acordo", acrescenta o correspondente.

A diferença entre a Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia, no entanto, é que Madri terá regras e condições a serem cumpridas somente pelos bancos, alvo da ajuda financeira. Já os outros três países tiveram que implementar mudanças macroeconômicas e políticas de austeridade.

"O que está claro é que o quarto pacote de ajuda da zona do euro ajudará a sanar os bancos da Espanha a curto prazo, e isso acalmou os nervos. Mas sem a apresentação rápida de soluções de longo prazo, o euro ainda está em risco", diz Price.

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