Boca de urna indica empate na Grécia

Eleição na Grécia Direito de imagem REUTERS
Image caption Eleitores foram às urnas neste domingo em Atenas e em todo o país

A primeira pesquisa de boca de urna na Grécia indica que os dois principais partidos no pleito - o esquerdista Syriza e o de centro-direita Nova Democracia - estão praticamente empatados na preferência dos votos em eleição realizada neste domingo. As urnas já fecharam na Grécia.

Os gregos foram às urnas neste domingo em uma eleição parlamentar que muitos analistas consideram um referendo sobre a permanência do país na zona do euro. Um levantamento conjunto - feito por cinco institutos de pesquisa - indica que apenas meio ponto percentual separam o Syriza da Nova Democracia - que estaria com uma pequena margem de vantagem.

Segundo a pesquisa, a Nova Democracia teria recebido entre 27,5% e 30,5% dos votos. O Syriza está com 27% e 30%. Os socialistas do Pasok teriam obtido entre 10% e 12% dos votos.

A votação ocorreu entre as 7h e 16h no horário local (1h e 10h, em Brasília). Os primeiros resultados da apuração serão divulgados ainda neste domingo.

Dois assuntos que estão interligados dominaram a campanha política no último mês: os pacotes de ajuda financeira recebidos pela Grécia nos últimos dois anos e a permanência do país na zona do euro, a moeda europeia.

A Grécia recebeu ajuda internacional de 110 bilhões de euros, em 2010, e 130 bilhões de euros, no ano passado. O dinheiro foi usado para que o país conseguisse pagar suas dívidas, mas grande parte da população está descontente com as condições do acordo, que exige medidas duras de redução de gastos públicos.

A Nova Democracia apoia os pacotes de ajuda financeira, assim como Pasok, mas defende a renegociação de alguns termos. Já o Syriza é fortemente contra as medidas de austeridade.

Euro

Para os líderes europeus, caso os gregos rejeitem o acordo que possibilitou os dois pacotes de resgate, a Grécia provavelmente terá de deixar a zona do euro, e voltar a adotar sua moeda antiga, o dracma.

Na véspera da votação, a chanceler alemã, Angela Merkel, fez um apelo ao povo grego para que mantenha seu compromisso com a austeridade fiscal.

"É extremamente importante que as eleições de amanhã [domingo] na Grécia levem a um resultado no qual aqueles que formarão o governo digam: 'Sim, nós queremos manter os nossos compromissos'", afirmou a chanceler.

Já para Angel Gurria, diretor da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o novo governo grego deveria ter uma chance de renegociar pelo menos parte do acordo de resgate.

"Se esta é a condição para que a Grécia fique [na zona do euro] e siga em diante, eu diria que é provavelmente algo que deveria ser tentado", afirmou Gurria.

Os dois principais políticos que eram vistos como favoritos nestas eleições – até a suspensão da divulgação de pesquisas de opinião – disseram que o pleito deste domingo é o sinal de uma nova era para a Grécia.

"Hoje o povo grego fala. Amanhã uma nova era começa para a Grécia", disse o líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, ao votar neste domingo. O economista, que já foi ministro das Relações Exteriores nos anos 90, foi contra o primeiro pacote de resgate, mas mudou de opinião diante do segundo acordo.

"Nós conquistamos o medo. Hoje nós abrimos o caminho para a esperança", disse o líder Alexis Tsipras, do partido esquerdista Syriza, ao depositar o seu voto. Sua sigla defende o fim imediato das medidas de austeridade, mas prega que a Grécia deve permanecer na zona do euro.

Os gregos haviam eleito seus representantes no mês passado, mas nenhum partido conseguiu formar um coalizão para governar. Uma nova eleição foi convocada para este domingo.

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