Crise política no Egito representa morte do movimento da Praça Tahrir?

Mural no Cairo mostra rosto com traços do ex-presidente Hosni Mubarak e de líderes militares Direito de imagem Reuters
Image caption Ativistas dizem que militares representam continuação do governo de Hosni Mubarak

A esperança dos revolucionários egípcios está agora farrapos. Longe de ser o ponto alto da transição do país para a democracia, as eleições presidenciais encerradas no domingo marcam mais uma etapa na luta contra um conselho militar determinado a dominar o jogo político.

As urnas mal tinham sido fechadas quando os militares emitiram uma proclamação zombando do processo democrático.

O poder real ficará não com o presidente eleito ou com o Parlamento eleito, mas com uma elite militar que não foi eleita.

Aposta

Isso representa um grande desafio tanto para as forças populares no Egito quanto para o governo de Barack Obama em Washington.

Os generais podem muito bem estar apostando que, depois de 16 meses de turbulência política, os egípcios estão agora exaustos e desiludidos.

Certamente é verdade que muitos egípcios anseiam por estabilidade, a restauração da lei e da ordem e o renascimento de sua economia.

Mas a aposta pode não dar certo. Há um risco real de novos confrontos.

A Irmandade Muçulmana acredita que seu candidato, Mohammed Mursi, venceu a eleição e já deixou claro que não vai ficar passiva diante do que chama de "golpe" dos militares.

Mas seus líderes costumam ser cautelosos. Eles terão de decidir se seus interesses serão melhor alcançados com um confronto total com os militares ou com algum tipo de acomodação.

Se os generais forem espertos e aceitarem uma vitória de Mursi, a segunda opção seria mais palatável.

Caso os generais tentem negar vitória à Irmandade Muçulmana, todas as cartas estarão na mesa.

Obama

Por sua parte, o comprometimento público do governo Obama com a democracia egípcia está sendo testado.

O Departamento de Estado disse estar "profundamente preocupado" com as ações dos militares, alertando que decisões tomadas agora terão um impacto nas relações entre EUA e Egito.

Mas os generais egípcios podem muito bem sentir que o que está em jogo é tão importante que ameaças vagas de Washington podem ser ignoradas.

O fracasso da revolução no Egito seria um golpe duro para a Primavera Árabe, mas não significaria por si só sua sentença de morte.

Apesar dos problemas no Egito, na Síria e em outros lugares, o drama regional está longe do fim. As forças da velha ordem estão contra-atacando – como era de se esperar –, mas sua vitória não está garantida.

Há pela frente uma luta prolongada, à medida que revolucionários e reacionários se preparam por uma batalha de longo prazo pelo futuro da região.

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