Novo presidente paraguaio deverá buscar alianças

Presidente Federico Franco (Foto: Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Novo presidente do Paraguai, Federico Franco não tem apoio unânime de seu partido

O novo presidente do Paraguai e ex-vice-presidente de Fernando Lugo, Federico Franco, de 49 anos, é definido como um político "conservador" e "ambicioso". Ao contrário de seu antecessor, ele deverá buscar alianças políticas para governar, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Franco deverá governar o país durante os próximos 14 meses, até agosto do ano que vem, quando está previsto que passe a faixa presidencial para o presidente eleito em abril de 2013.

Médico, ex-vereador e ex-governador, Franco é de uma família de políticos do tradicional Partido Liberal Radical Autentico (PLRA), opositora do, também histórico, Partido Colorado.

Segundo analistas, para governar ele deverá buscar alianças com outras legendas, como a UNACE, uma dissidência dos colorados criada pelo ex-general e agora político Lino Oviedo.

"Franco é um político forte da direita paraguaia e que se conseguir controlar seu pavio curto até poderá fazer um bom governo", disse o analista político e ex-assessor de Lugo, Roberto Paredes. Para ele, Franco é um político "ambicioso" que, ao contrario de Lugo, buscará formar alianças partidárias para poder governar.

"O Paraguai tem uma sociedade fragmentada e as alianças são essenciais, como mostrou o cenário que acabou levando a saída de Lugo", disse Paredes. Na sua opinião, Franco sempre demonstrou "desejar a Presidência" e "jamais escondeu" diferenças com Lugo.

"Mas Lugo também errou muito porque não aceitava pensar em alianças políticas ou em atender até mesmo à sua base política, incluindo o partido de seu então vice", afirmou.

Lugo e Franco não esconderam as diferenças durante os quatro anos que governaram o país a partir da chamada Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), que reunia o conservador PLRA e movimentos sociais que apoiavam o agora ex-presidente.

Durante o mandato exercido por Lugo, Franco liderou um protesto contra o governo e criticou Lugo pela paternidade ocorrida nos tempos em que era bispo da igreja católica. “Uma pessoa deve ser íntegra tanto na vida privada quanto na vida pública”, disse, na ocasião.

Falta de apoio

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Image caption Mandatário deve se aproximar de dissidentes do partido Colorado, dizem analistas

Na opinião da analista política Milda Rivarola, Franco é um político tradicional que não conta com apoio unânime do seu partido e não teria apoio popular. “Franco é de uma família de políticos do PLRA, mas já não figurava como líder do seu partido porque ficou em terceiro lugar em uma recente votação interna do partido”, disse Rivarola.

Para ela, o país vive “momentos de incertezas” porque registrou expansão econômica recorde nos últimos anos, mas enfrenta problemas como a questão da terra e a violência no campo.

O médico de Lugo e analista político Alfredo Boccia afirmou que Franco não teria apoio dos movimentos sociais. Mas Paredes e o também analista político Francisco Capli disseram, porém, que Lugo já não teria o apoio dos tempos em que foi eleito em abril de 2008.

"Lugo criou dificuldades ao resistir a atender a base aliada. A expectativa é que Franco, por sua experiência política, atue diferente", disse Capli.

Antes do impeachment relâmpago de Lugo, Franco pretendia ser candidato ao Senado ou candidato às eleições presidenciais, mas analistas dizem acreditar que seus planos agora seriam de concluir a Presidência. "Ele vai governar até entregar a faixa. Ser presidente era um sonho de Franco que mais adiante poderá ser candidato para voltar ao mesmo cargo", disse Paredes.

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