Partido que governou México por 71 anos pode voltar ao poder

Urna que será montada para eleição no México (AP) Direito de imagem AP
Image caption País vai às urnas temendo insegurança e perda de poder econômico

Eleitores mexicanos estão comparecendo às urnas neste domingo para escolher seu novo presidente, com pesquisas de opinião dando a liderança para Enrique Peña Nieto, do PRI.

O Partido Revolucionário Institucional, que esteve no poder no México entre 1929 e 2000, poderia, assim, voltar ao poder após um hiato de 12 anos.

O pleito não prevê um segundo turno.

Além de seu novo presidente, pouco menos de 80 milhões de eleitores mexicanos escolhem neste domingo novos congressistas, alguns governadores e prefeitos, numa eleição marcada pelo debate econômico e pela guerra às drogas.

No campo econômico, as questões mais prementes são a pobreza extrema - que afeta quase um terço dos mexicanos - e a sensação, de grande parte da população, de perda de poder aquisitivo, apesar das taxas de crescimento recentes do país (entre 3% e 4%).

O outro grande tema é a insegurança, no momento em que o México vive sua maior onda de violência ligada ao narcotráfico, com casos de chacinas, sequestros e desaparecimentos ligados a disputas entre cartéis, e entre narcotraficantes e autoridades.

São estimados 50 mil mortos desde 2006, quando o presidente conservador Felipe Calderón foi eleito e abriu uma ofensiva contra o narcotráfico.

No entanto, independentemente de quem assuma a Presidência após Calderón, não é esperada uma mudança radical na política de repressão ao tráfico, nem a retirada do Exército das ruas do país.

Leia também na BBC Brasil: México teme 'narcovoto' nas eleições deste domingo

Outro tema em debate é o papel regional do México. O correspondente da BBC Mundo no país, Ignacio de los Reyes, explica que, para muitos mexicanos, é hora de o país tentar recuperar seu protagonismo na América Latina, perdido ao Brasil nos últimos anos.

Veja a seguir o perfil dos três principais candidatos que disputam a Presidência mexicana neste domingo:

Enrique Peña Nieto (PRI)

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Image caption Penã Nieto casou com uma famosa atriz da TV mexicana em 2010

Pesquisas de intenção de voto dão até 17 pontos de vantagem para o advogado de 45 anos sobre o segundo colocado. Peña Nieto já foi governador do Estado do México e prometeu reduzir a violência do narcotráfico e fomentar a criação de empregos para jovens. Também se apresenta como a "nova cara" do tradicional PRI.

O candidato é a esperança do PRI para voltar ao poder após 12 anos na oposição; no entanto, no Estado de Tamaulipas - um dos mais afetados pela guerra às drogas - a legenda foi afetada por denúncias de corrupção e de manter elos com narcotraficantes.

Apesar de ter formalizado sua candidatura há meses, ele há mais de dois anos lidera as pesquisas de intenção de voto com folga.

Tiveram pouco impacto junto a seu eleitorado as revelações, do início do ano, de que tinha filhos com outras duas mulheres e a admissão de ter traído sua primeira esposa.

Sua imagem foi mais prejudicada quando teve dificuldades para citar três livros que o tivessem influenciado, durante um evento literário. Viúvo em 2007, casou-se em 2010 com uma popular atriz da TV mexicana.

Oponentes criticam sua ligação com grupos empresariais e a mais poderosa rede de TV do país, a Televisa. Também dizem que a volta do PRI ao poder significaria um retorno ao autoritarismo.

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Image caption O carismático esquerdista já perdeu as eleições de 2006

Andres Manuel Lopez Obrador (PRD)

Espera-se que o carismático líder de esquerda termine o pleito na segunda posição, como nas eleições de 2006, mas com uma distância maior para o vencedor.

Natural do Estado de Tabasco, ele é conhecido por seus inflamados discursos contra oligarcas poderosos - ainda que tenha adotado um tom mais conciliador na atual campanha.

Ele prometeu diminuir a participação militar no combate ao narcotráfico, criar 7 milhões de empregos e promover crescimento na casa dos 6% anuais.

Obrador, de 58 anos de idade, é criticado por ser temperamental e acusado de pouco democrático.

A acusação vem da eleição presidencial passada, quando perdeu por poucos votos para Calderón, mas não aceitou a derrota e conclamou seus simpatizantes a paralisar partes da capital por meses.

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Image caption Brigas internas de seu partido atrapalharam a campanha da conservadora

Josefina Vazquez Mota (PAN)

É a candidata da situação. Conservadores atualmente no poder apostaram que Vazquez se tornaria a primeira presidente do país. Mas divisões partidárias internas impediram que sua candidatura decolasse.

Aos 51 anos e no papel da primeira candidata mulher por um partido majoritário, Vazques Mota tentou conquistar o voto feminino, mas estancou na terceira posição nas pesquisas de intenção de voto.

Um de seus principais desafios é agradar os mexicanos que se sentem desencantados com o PAN, após 12 anos do partido no poder.

Ela é contra o aborto, mas também condena a prisão de mulheres que abortam, prática que ocorre em partes do México.

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