Londres 2012: Em feito inédito, canoísta de 48 anos irá a 8ª Olimpíada

Atualizado em  26 de julho, 2012 - 07:18 (Brasília) 10:18 GMT
Josefa Idem (Foto: Ambra Craighero)

Aos 48 anos, Josefa Idem disputará sua oitava Olimpíada

Josefa Idem é uma lenda na canoagem e um mito no esporte: aos 48 anos de idade, ela vai disputar em Londres a sua oitava olimpíada, batendo um recorde mundial. Nenhuma mulher foi tão longe.

Em seus dois primeiros Jogos Olímpicos, em Los Angeles e em Seul, a canoísta competiu pela Alemanha Ocidental, o seu país natal. De Barcelona em diante, Idem passou a remar pela Itália, ao obter a cidadania italiana ao se casar com o seu treinador, o fisioterapeuta italiano Guglielmo Guerrini.

"Ela tem muita classe e força. A medicina não sabe qual é o limite do corpo humano. E Josefa é um exemplo", disse Guerrini à BBC Brasil.

Mãe de dois filhos, Idem foi bronze em Los Angeles-1984, quando ainda competia pela Alemanha Ocidental. E, já pela Itália, conquistou o bronze em Atlanta-1996, ouro em Sydney-2000 e prata em Atenas-2004 e Pequim-2008. Nesta última, perdeu o ouro por apenas 4 milésimos de segundo da primeira colocada. O episódio agora serve de motivação.

"Sempre encontrei uma boa razão que me levasse adiante. E em cada Olimpíada foi diferente. Em Pequim, por exemplo, queria demonstrar que com 44 anos eu estava pronta. Você viu a prova? Perdi o ouro por meio centímetro e ganhei a prata. No trimestre passado não tive bons resultados. Mas estou com uma fome grande (para competir em Londres)", diz ela em à BBC Brasil.

Desafio

Josefa Idem acompanha a evolução do esporte do alto da sua experiência e competitividade.

"A minha fisiologia não mudou muito. Faço os mesmos tempos durante os treinos que eu fazia antes de Pequim. Hoje mudou a tática da competição. Agora as minhas adversárias arrancam os primeiros 250 metros (de um total de 500) como nunca. Eu sei que seu ritmo vai baixar depois, na segunda metade da prova, mas tenho dúvidas sobre como enfrentar esse tipo de estratégia. Hoje, com tantas jovens, temos que dar tudo já nas semifinais. Temos que queimar todos os cartuchos", conta a atleta.

Ela opina que "a maior adversária de uma atleta é ela própria. Todos nós, em momentos de grandes decisões, temos que fazer as contas com os nossos fantasmas que aparecem por todos os lados. Temos que domá-los".

Idem rema quase 3,5 mil km por ano, em treinos no lago de Vernago, no norte da Itália. Seus tempos se mantêm parecidos com os de quatro anos atrás, quando se preparava para competir em Pequim.

A quase 1.700 metros de altitude, na raia do lago, e a dois mil metros, em casa, em Merano, ela cumpre uma rotina de treinos diários e divididos em duas sessões num lugar paradisíaco, imerso na natureza dos Alpes.

Guglielo Guerrini

Guglielo Guerrini é marido e treinador de Josefa

"Antes de uma Olimpíada sinto algo diferente. No momento treino de duas a três horas pela manhã e outras três horas de tarde. E faço sessões de fisioterapia e também de preparação mental. Viver e treinar em altitude foi uma escolha para melhorar o meu condicionamento físico. Tenho que aumentar as minhas taxas de hemoglobina", diz.

Filhos e Rio de Janeiro

No intervalo, Josefa Idem cuida dos filhos Janek (nascido em 1995, um ano antes dos jogos de Atlanta) e Jonas (nascido em 2003, um ano antes de ela competir em Atenas). E com a maternidade acumulou mais força para gastar na canoa.

"As pessoas brincam comigo: faça um outro filho em 2015 e vá ao Rio de Janeiro em 2016. Ao Rio de Janeiro poderei ir como comentarista para a televisão", brinca, antevendo sua possível aposentadoria.

"A nossa família é cosmopolita. Quem sabe não iremos viver no Brasil e ajudar os canoístas do país?", sugere Guerrini.

Idem também planeja cursar psicologia após os Jogos de Londres e em publicar um livro. Entre uma sessão e outra de remadas no lago de Vernago, ela conta qual é diferença entre a Josefa alemã e a Idem italiana.

"Hoje tenho muito mais prazer e consciência. E muito mais disciplina. Quando eu era mais jovem os treinos eram vividos com muito sacrifício, pesavam muito, não era um prazer. O trabalho, o esforço e o cansaço são necessários. Mas hoje, me divirto muito mais e sofro muito menos durante os treinos. É um desafio comigo mesmo."

Ela admira "velhos" atletas que tentam voltar à forma antiga e diz que se emocionou com o caso da nadadora veterana americana Janet Evans, que, aos 40 anos, tentou sem sucesso obter índice para competir em Londres. "Ela fracassou, mas não no objetivo de colocar-se em jogo de novo. Ela aceitou o desafio sem medo do fracasso. Pior seria sentir o remorso de não ter tentado."

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