Falso médico brasileiro é condenado por abusar de pacientes em Londres

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Image caption Gobbato não tinha registro como médico, segundo um conselho de medicina britânico

Um brasileiro foi condenado nesta sexta-feira a cinco anos de prisão pela Justiça britânica por ter se passado por médico licenciado na Grã-Bretanha e de abusar sexualmente de ao menos quatro pacientes. Ele negou as acusações, segundo a corte.

Segundo a Promotoria londrina, Antonio Gobbato - que, segundo a Justiça britânica, nasceu no Brasil, mas declara nacionalidade portuguesa - teria se passado por "ginecologista, pediatra e psiquiatra do Sistema Nacional de Saúde" britânico, sob falsas qualificações, e fazia diagnósticos apalpando os seios das pacientes.

A polícia de Londres afirma que, entre agosto de 2009 e junho de 2010, Gobbato manteve consultório em diversos endereços da cidade, atendendo principalmente brasileiros e outros falantes da língua portuguesa - muitos dos quais não têm acesso pleno ao sistema de saúde pública britânica por não terem seu status migratório regularizado.

A Promotoria afirma ainda que ele convenceu três famílias de que seus filhos precisavam de tratamentos médicos caros, urgentes e em outros países, apenas para poder viajar com as famílias tendo suas despesas pagas.

Em um dos casos, dizem os promotores, ele conseguiu convencer uma família a viajar para a Itália, para tratar sua filha com uma infecção que "poderia virar uma leucemia". Ao chegar lá, porém, a paciente em questão sofria apenas de uma infecção sem gravidade.

Essas acusações renderam a Gobbato também uma condenação por fraude e tentativa de fraude.

Queixas

A polícia deteve Gobbato em junho de 2010, após queixas de pacientes mulheres ao Conselho de Medicina britânico - que informou que o médico não era registrado.

De acordo com o site Court News UK, Gobbato adotou o apelido de "Lobo Mau" e usava apenas uma espátula para tratamentos cosméticos em exames íntimos de suas "pacientes".

A uma das vítimas, segundo o site, Gobbato disse que ela não estava grávida depois um exame que se resumia a beliscar o mamilo da paciente.

De acordo com o jornal The Evening Standard, o suspeito usou falsos documentos para se registrar em uma associação médica, alegando ser qualificado em massagem e homeopatia.

O jornal britânico Daily Mail informou que o falso médico usou diplomas de universidades de outros países para conseguir um registro na Associação de Medicina Complementar britânica.

Ao ler a sentença, o juiz Peter Grobel citou o que considera a "humilhação" das mulheres que passaram pelo consultório de Gobbato.

"O abuso da confiança dada a você causou a cada uma das mulheres constrangimento, humilhação e cicatrizes emocionais que continuam ainda hoje", disse.

"Mais grave ainda foi a vantagem desonesta que você conseguiu com pais preocupados com as doenças de seus filhos", acrescentou.