FMI reduz expectativa e prevê crescimento de 2,5% no Brasil este ano

Exportação de commodities brasileiras é afetada por 'ambiente externo fraco' citado por FMI em desaceleração. Direito de imagem ABr
Image caption 'Ambiente externo' mais fraco é uma das causas para desaceleração brasileira, de acordo com FMI (Foto Ag. Brasil).

O Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou as suas previsões de crescimento para a economia brasileira neste ano, reiterando um cenário de "instabilidade" financeira internacional e citando "vulnerabilidades domésticas" nos países emergentes.

Em linha com os ajustes para baixo que têm sido feitos pelo mercado – mas um pouco mais conservador, como de costume –, o Fundo passou a considerar que a economia brasileira vai crescer 2,5% neste ano, uma previsão meio ponto percentual mais baixa que a estimativa divulgada em abril.

Em uma atualização do seu relatório macroeconômico, o Panorama Econômico Mundial, divulgado nesta segunda-feira em Washington, o FMI observa que "o ímpeto de crescimento desacelerou em várias economias emergentes, especialmente Brasil, China e Índia".

"Isto reflete em parte um ambiente externo mais fraco, mas a demanda doméstica também desacelerou fortemente em resposta a limites da capacidade e uma política monetária restritiva no último ano."

Ainda assim, "no curto prazo", afirma o documento, "a atividade em muitos mercados emergentes deve ser amparada pelo afrouxamento monetário iniciado no fim de 2011 e início de 2012 e, nos (países) importadores líquidos de combustível, pelos preços mais baixos do petróleo".

Para 2013, o órgão acredita que o crescimento do PIB brasileiro será de 4,6% - meio ponto percentual acima que a estimativa anunciada três meses atrás. O crescimento maior no ano que vem será puxado pelas obras de preparação para a Copa do Mundo de 2014.

Crescimento condicional

Um primeiro semestre melhor que o esperado ainda deve garantir um crescimento global para este ano de 3,5% nas previsões do FMI. No ano que vem a previsão é de uma expansão de 3,9% - 0,2 ponto percentual a menos que a estimativa divulgada em abril.

Entretanto, os economistas da entidade alertaram que estes resultados só serão alcançados se houver uma ação política mais firme dos líderes dos países desenvolvidos para reduzir a instabilidade financeira global.

Na zona do euro, o FMI reiterou que é preciso continuar progredindo em duas frentes: a criação de uma entidade única de fiscalização dos bancos da região e de mecanismos para "romper o elo entre dívidas bancárias e soberanas", permitindo que o fundo europeu de resgate possa emprestar dinheiro diretamente a bancos em dificuldades.

Nos EUA, a grande preocupação é com o chamado abismo fiscal, uma série de cortes de gastos e o fim de isenções fiscais que se aplicariam já a partir de janeiro, se o Congresso americano não chegar a um plano para aplicá-los gradativamente.

O FMI crê que, apesar de dividido, o legislativo americano postergará a entrada em vigor do gatilho, evitando o freio sobre a economia.

"Este é o momento de mostrar uma liderança política forte", disse o diretor Monetário e de Mercado de Capitais do FMI, José Vignals, apresentando as conclusões de sua equipe para os jornalistas.

Mercados emergentes

Vignals, que também apresentou uma atualização do relatório sobre Estabilidade Financeira Global do fundo, disse que as economias emergentes estão diante de um "duplo desafio": tentar conter os efeitos negativos provenientes da instabilidade financeira nos países avançados, e lidar com "vulnerabilidades domésticas" que aumentaram nos últimos meses.

Entre estas últimas, estão a expansão rápida do crédito, o que aumenta o risco de empréstimos de má qualidade, e uma erosão do crescimento econômico, como já vem sendo verificado no Brasil, China e Índia.

"Com o crescimento desacelerando e após anos de rápido crescimento do crédito, a prioridade número um (dos emergentes) deve ser aperfeiçoar regulações e medidas macroprudenciais e de supervisão com vistas a reduzir os riscos financeiros", recomendam os técnicos do FMI.

O Fundo voltou a reforçar a sua recomendação de que os emergentes exportadores de commodities construam "colchões" enquanto os preços de matérias-primas ainda continuam altos e há boas condições de liquidez.

Embora ainda preveja uma expansão de 5,6% dos países emergentes neste ano – previsão apenas um ponto percentual abaixo da de abril –, o Fundo espera que Índia e Brasil tenham uma desaceleração mais forte (0,7 e 0,6 ponto percentual abaixo da previsão anterior, respectivamente).

Porém, a entidade avalia que "muitos países emergentes ainda têm espaço para políticas monetárias de afrouxamento para responder a choques domésticos ou externos", com o estímulo fiscal "sendo uma segunda linha de defesa".

"A inflação continua em geral dentro das metas, indicando escopo para novos cortes de juros se tais choques vierem a ocorrer", avalia o relatório macroeconômico.

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