Homem-bomba mata altos dirigentes do regime sírio

Daoud Rajiha e Asef Shawkat
Image caption Rahja e seu vice, Shawkat, foram mortos no ataque em Damasco

Um atentado suicida nesta quarta-feira na capital da Síria, Damasco, matou alguns dos mais importantes dirigentes do regime sírio, incluindo o ministro da Defesa, seu vice e o cunhado do presidente do país, Bashar al-Assad.

O homem-bomba detonou os explosivos dentro do prédio onde fica a sede da força de segurança nacional, deixando também um grande número de feridos.

Dois grupos rebeldes assumiram o ataque. Entre os mortos estão o cunhado de Assad, Assef Shawkat – que era muito influente em assuntos de segurança interna –, o ministro da Defesa, Daoud Rajiha, seu vice, Asef Shawkat, e o ex-titular da pasta Hassan Turkmani, entre outras figuras do governo.

O ministro do Interior, Mohammad Ibrahim al-Shaar, também teria ficado ferido no ataque. A emissora de televisão Al Jazeera, com sede no Catar, chegou a afirmar que ele teria morrido, mas a TV estatal síria disse que o ministro estava bem, apesar de ter sofrido ferimentos.

Há relatos de que o chefe do serviço de inteligência, Hisham Ikhtiar, também estaria gravemente ferido.

A correspondente da BBC em Damasco Lina Sinjab diz que nenhuma das janelas do prédio atacado parecia quebrada e não havia sinal de movimentação extra das forças de segurança.

Um comunicado das Forças Armadas afirma que a Síria está "mais determinada do que nunca" em combater o "terrorismo" e varrer as "gangues de criminosos". A nota acrescenta que "quem imagina que pode torcer o braço sírio ao matar altos comandantes se engana".

Nova fase

O analista da BBC Jonathan Marcus diz que o ataque em Damasco "pode significar um marco simbólico na luta para derrubar o regime de Assad".

"Isso revela a dificuldade do governo de proteger seus integrantes e gera dúvidas sobre o estado de segurança na Síria", disse Marcus.

No Líbano, o correspondente da BBC em Beiryte, Jim Muir, diz que "os rebeldes já acreditam claramente que a vitória é possível".

"A crise síria parece ter entrado em uma nova fase. Em dois dias, alguns dos aliados mais próximos de Assad foram mortos, uma base do Exército que protegia o palácio presidencial foi incendiada e os choques estão cada vez mais próximos do centro da capital", diz Muir.

"Isso não significa que o fim é iminente. A batalha por Damasco só começou e, se a questão permanecer meramente militar, a vantagem do regime é inquestionável", afirma o correspondente.

"Mas, com a paralisia da diplomacia internacional, a pressão interna parece estar aumentando e novas surpresas podem surgir."

Guarda-costas

Diversas autoridades estavam no prédio atingido pelo suicida, que - segundo fontes das forças de segurança sírias - seria um dos guarda-costas do alto escalão do governo de Assad.

O general Daoud Rajiha, de 65 anos, foi nomeado ministro da Defesa em agosto de 2011. Ele havia sido promovido a general em 2005 e se especializou em artilharia na academia militar síria, onde se formou em 1967.

Rajiha era cristão ortodoxo, um dos poucos no governo e nas Forças Armadas, dominadas por muçulmanos alauítas (um ramo do islamismo xiita do qual a família Assad é integrante).

Relatos de ativistas dão conta de que o conflito armado está cada vez mais intenso na capital.

Uma porta-voz rebelde, Susan Ahmad, disse à BBC que as entradas da cidade foram fechadas na manhã de quarta-feira, com a região de Al-Qaboun sendo particularmente alvejada pelos militares.

"Agora, tanques estão entrando em Al-Qaboun, atacando residências. Eles atiram contra tudo que se move e tentam prender e matar pessoas. A população está tentando fugir", afirmou.

Um vídeo divulgado na internet mostra o que parece ser um acampamento em chamas diante do palácio presidencial. Tiroteios intensos foram registrados também em vias de acesso ao sul da capital.

Diplomacia

O Conselho de Segurança da ONU deveria decidir nesta quarta-feira se impõe novas sanções ao país.

Mas, após o ataque em Damasco, o enviado da ONU e da Liga Árabe Kofi Annan pediu para que a votação seja adiada.

Antes, Annan havia se reunido com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou, enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se encontrava com o líder chinês Hu Jintao em Pequim.

China e Rússia são os dois únicos membros permanentes do Conselho de Segurança relutantes em impor sanções mais duras ao regime de Assad. No caso de Moscou, pesa uma antiga aliança entre sírios e russos.