Susto contra Egito revela lista de defeitos da seleção de Mano

Time de futebol olímpico do Brasil. (foto: Getty Images) Direito de imagem Getty Images
Image caption Jogadores brasileiros comemoram gol contra o Egito em primeira partida nas Olimpíadas

Com um show no primeiro tempo e um "apagão" no segundo, a seleção brasileira estreou com vitória nesta quinta-feira no torneio olímpico de futebol. Em partida realizada em Cardiff, o Brasil venceu o Egito por 3 a 2 e lidera o seu grupo.

O primeiro tempo do Brasil foi arrasador, com a seleção abrindo 3 a 0. Aos 15 minutos, Neymar fez jogada em alta velocidade, Hulk puxou a marcação egípcia e deixou o lateral direito Rafael livre para marcar.

Aos 25 minutos, em momento de desatenção do goleiro Elshenawi, o meia Oscar roubou a bola e cruzou para Leandro Damião marcar o segundo gol brasileiro. Quatro minutos depois, Neymar fez o terceiro após troca de passes com Hulk.

Uma substituição feita pelo Egito no intervalo mudou a cara da partida no segundo tempo. O técnico Hany Ramzy colocou o rápido atacante Mohamed Salah para jogar no flanco esquerdo brasileiro, sobrecarregando o lateral Marcelo e os volantes do Brasil.

Aos seis minutos, o atacante Aboutrika descontou para o Egito, em lance de bola parada. Aos 30 em jogada pela esquerda, Salah se aproveitou de um momento de impasse entre Marcelo e Juan e fez o segundo. Mano Menezes colocou Danilo, Ganso e Pato nos lugares de Sandro, Damião e Hulk, mas ainda assim a seleção passou sufoco.

Após a partida, os jogadores e o técnico Mano Menezes analisaram algumas das lições aprendidas na difícil estreia.

Flancos nas laterais

O problema: Tanto Mano como os demais jogadores reconheceram que Rafael e Marcelo costumam subir demais para o ataque – e às vezes juntos – deixando as laterais abertas para contra-ataques dos adversários. A entrada no segundo tempo de um atacante egípcio para explorar o flanco deixado por Marcelo foi responsável pelas melhores oportunidades do Egito na partida.

O que eles disseram: "Eu apoiei bastante na primeira parte, mas na segunda eu já tive que defender mais. Eles fizeram uma modificação, colocando um jogador para eu marcar, e eu já não podia mais atacar muito", disse o lateral-esquerdo Marcelo.

"Se o Marcelo e o Rafael estavam voltando correndo para fechar [a defesa], então é porque já tem alguma coisa errada. Não é para os dois apoiarem ao mesmo tempo", disse Mano Menezes.

Falta de coordenação com os volantes

O problema: Uma das conseqüências das subidas dos laterais, é que poucos volantes brasileiros ficam sobrecarregados tendo que marcar vários atacantes adversários. No segundo tempo, o Egito teve diversas chances com mais atacantes ficando no "mano a mano" com zagueiros.

O que eles disseram: "Os nossos laterais são muito ofensivos. Nós sabemos disso. Nós temos que estar ligados com nossos volantes, para que um dos jogadores não saia tanto e dê mais segurança ao sistema defensiva", disse o zagueiro e capitão Thiago Silva.

"Nossos volantes jogaram abertos. Você precisa sempre ter um volante central quando é atacado. No segundo gol do adversário, um jogador [do Egito] errou na conclusão no lado esquerdo, a bola quicou três vezes até chegar dentro da nossa área, um jogador dominou ela sozinho dentro da nossa área. Isso é falta de posicionamento central, porque essa bola não pode passar ali", disse o técnico Mano Menezes.

Individualismo de Neymar

O problema: O excesso de jogadas individuais de Neymar foi um problema levantado por Mano Menezes na semana passada. Desta vez, ele não citou o jogador especificamente, mas disse que o Brasil precisa jogar mais em conjunto. As maiores críticas a Neymar partiram do técnico egípcio.

O que eles disseram: "Ofensivamente, no primeiro tempo fizemos bem-feito, com trocas de passes, com ultrapassagens, com bolas sendo tocadas de trás da linha de defesa. No segundo tempo não conseguimos repetir. Voltamos a exagerar nas jogadas individuais. O resultado foi que tivemos muito mais dificuldades", disse Mano Menezes.

"Eu acho que Neymar também precisa jogar mais para o time, às vezes ele parece que joga apenas para dar show. Às vezes, ele parece querer apenas mostrar que ele é muito talentoso", afirmou o técnico egípcio Hany Ramzy.

Desatenção e relaxamento

O problema: Após um primeiro tempo tão dominante, o Egito parecia um adversário fraco. Mas a seleção adversária tinha qualidades, como a velocidade de seus atacantes. Os brasileiros relaxaram na marcação e abriram espaços para os egípcios, sobretudo para o contra-ataque.

O que eles falaram: "Entramos um pouco mais relaxados, com uma vantagem de 3 a 0, e demos oportunidade para o Egito crescer. Mas o mérito foi deles também por entrar com uma formação diferente no segundo tempo que nos complicou", afirmou o meia Oscar.

"A lição é não entrar em campo de corpo mole. Se não, eles fazem o gol e começam a gostar do jogo", disse Neymar.

Favoritismo

O problema: Todos os favoritos que jogaram nesta quinta-feira tiveram dificuldades contra seus adversários. O México empatou com a Coreia do Sul, o Uruguai sofreu para virar contra os Emirados Árabes e a Espanha perdeu para o Japão por 1 a 0. Com o Brasil não foi diferente, e Mano Menezes disse que é preciso atenção para as qualidades de todos os adversários no torneio.

O que eles disseram: "Os técnicos falam a bastante tempo uma frase que já virou até motivo de piada: mas não existe mais ninguém que é bobo mesmo. Quando o Brasil estava bem, parecia que o Egito estava fraco. Quando o Brasil não esteve bem, o que se viu é que o Egito tem qualidade para endurecer uma partida", disse Mano Menezes.

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