Londres 2012: Organização 'perfeita' agrada espectadores na final da ginástica artística feminina

Espectadores observam ginasta britânica. | Foto: PA Direito de imagem PA
Image caption Apesar da falta de ingressos extra para o evento, Arena estava cheia

A qualidade da organização agradou e surpreendeu os espectadores na final da ginástica artística feminina por equipes, em North Greenwich Arena, no quarto dia da Olimpíada de Londres.

A chegada pelo metrô foi tranquila e sem atrasos, apesar da proximidade do horário de pico. Do centro da cidade até a entrada da Arena, foram 40 minutos.

Quem veio de ônibus não teve a mesma sorte. Um grupo de holandeses e belgas que ia à final disse à BBC Brasil que um engarrafamento atrasou sua chegada ao local do evento. No entanto, eles elogiaram a rapidez com que foram encaminhados à entrada.

"Ficamos surpresos porque está tudo muito bem feito. Há pessoas por todos os lados nos conduzindo para os lugares", disse o auditor Maurice Kijnenburg à BBC Brasil.

Na entrada do metrô, diversos voluntários com coletes de "assistência ao espectador" informavam qual era o caminho a seguir para chegar à entrada principal. Bem humorados, eles brincavam com o público e tomavam a iniciativa de oferecer ajuda aos que pareciam confusos.

Apesar da presença de policiais, a passagem pelas máquinas de detecção de metais e a revista de bolsas e mochilas também eram feitas por voluntários e aconteceram com tranquilidade, rapidamente e sem filas.

A britânica Diane Cobain, que conseguiu o ingresso pela internet "porque queria ver alguma coisa na Olimpíada" disse ter ficado "orgulhosa" do atendimento dos funcionários e voluntários na Arena.

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Image caption Fora da Arena, voluntários indicavam o caminho para as estações de metrô e ônibus

"Foi espetacular, excelente passagem pela segurança e todos os voluntários pareciam felizes de estar aqui", disse à BBC Brasil.

Casa cheia

Apesar do anúncio do prefeito Boris Johnson de que mais ingressos seriam vendidos ao público para evitar os assentos vazios nos eventos, não havia ingressos à venda em North Greenwich Arena. Algumas pessoas tentavam conseguir entradas na porta sem sucesso.

Mas, ao que parece, a maior parte dos que já tinham entrada garantida compareceu. O local passou a maior parte do tempo cheio - mas nunca lotado - e a torcida animava as atletas dos Estados Unidos, Rússia, Romênia, China, Itália, Japão e Canadá com palmas que marcavam o ritmo das apresentações de solo.

O romeno Marian Dalalau, de 30 anos, viajou até Londres com um grupo de amigos fãs da ginástica artística. Ele lamentou a medalha se bronze das romenas - disse que esperava pelo menos a prata - mas teceu elogios ao sistema de compra de ingressos.

"Comprei pela internet e recebi um tíquete de transporte que cobre todas as linhas de metrô e ônibus o dia inteiro", disse.

Direito de imagem Camilla Costa
Image caption Espectadores disseram estar surpresos com boa organização do evento

A treinadora russa de ginástica artística Marina Egorshina foi conferir a performance da equipe, que parecia decepcionada com a medalha de prata. Em seu país, ela treina meninas de 5 a 7 anos.

"Gostei bastante dos juízes da competição. As russas tinham um programa (as séries que seriam apresentadas) muito difícil e acabaram caindo muito. Sem isso, conseguiriam notas melhores."

Marina e seu filho, Dmitry, já assistiram ao vôlei de praia em Horse Guards Parade e se preparam para ver o tênis e o atletismo. "Tudo saiu como esperávamos até agora, está 'super'", afirmou a treinadora.

Até mesmo a oferta de comidas e bebidas, que tem causado polêmica na mídia britânica por ser considerada "insuficiente e pouco condizente com eventos esportivos" foi um pouco diferente em Greenwich.

Além de pizzas, chocolates e refrigerantes, era possível comprar saladas, barras de cereal e sucos nos vendedores autorizados. Os locais de venda, no entanto, já estavam fechados quando o público saiu da competição.

Recuperação

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Image caption Brasileiras assistiram a decisão entre as concorrentes

As ginastas brasileiras, que ficaram fora das finais individuais e da final por equipe, também foram ao evento como espectadoras.

Na saída do metrô de North Greenwich, Adrian Gomes, afastada das provas dias antes por conta de uma lesão na coluna, aguardava o resto das meninas, que viriam da Vila Olímpica, com ingressos em mãos.

Apesar da lesão, a ginasta parecia mais tranquila e comia um chocolate enquanto esperava pelas colegas.

"Chorei muito e durante várias horas (por não ter participado das qualificatórias). Se eu parar para pensar, começo a chorar novamente", disse à BBC Brasil.

"Estou melhor, mas ainda estou sentindo dor. A rotina de treinos estava pesada."

Cerca de 10 minutos depois, ela decidiu entrar. Pediu a uma voluntária - que reconheceu o uniforme brasileiro e falou em português - para avisar às outras ginastas do Brasil onde seria o ponto de encontro.

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