'Promessas' do Brasil visitam Londres para evitar 'deslumbramento' em 2016

(da esq.)Hugo Calderano, Thiago Monteiro, Flavia Gomes, Martine Grael e Vitor Felipe (Foto Paula Idoeta/BBC Brasil)     Direito de imagem BBC Brasil
Image caption Jovens com potencial para 2016 estão 'perdendo o deslumbramento' na Olimpíada de 2012

Atletas brasileiros que são considerados promessas para a Olimpíada de 2016, no Rio, estão em Londres para conhecer o ambiente olímpico e "perder o deslumbramento" com o maior evento esportivo do planeta.

Martine Grael (vela), Flavia Gomes (judô), Hugo Calderano (tênis de mesa), Thiago Monteiro (tênis) e Vitor Felipe (vôlei de praia) são 5 dos 16 atletas do projeto Vivência Olímpica, em que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) pretende dar a jovens atletas com potencial para competir no Rio-2016 a experiência de se ambientar em uma Olimpíada mesmo sem ter se classificado.

"É (uma experiência) importante para quebrar o gelo em uma Olimpíada. A Vila Olímpica é um negócio deslumbrante", diz a judoca Flavia Gomes, 18 anos, campeã mundial sub-17 em 2009 na categoria de até 57 kg.

Thiago Monteiro diz que o objetivo é "não ter o susto da primeira vez" caso os atletas se classifiquem para 2016. "A gente está se deslumbrando agora para chegar mais focado (daqui a quatro anos)", diz o tenista cearense de 23 anos, 467º no ranking da ATP. "Pode ser que a pressão aumente em 2016, mas estamos aprendendo a vivenciar."

O deslumbramento a que se referem é a imensidão da Vila Olímpica, com suas estrelas e suas tentações. Os brasileiros se encantaram ao ver, por exemplo, os nadadores Cesar Cielo (Brasil) e Michael Phelps (EUA) e o enorme refeitório destinado aos atletas olímpicos - algo que pode ser uma distração para quem está sob uma dieta rígida.

Foi justamente o refeitório o que mais impressionou o mesa-tenista Calderano, de apenas 15 anos. "Eu não tinha noção de como era grande a vila e do tamanho do refeitório. É bom já chegar (à próxima competição) sabendo como é, daí não vou ficar tão assustado."

Foco

A coordenadora e ex-ginasta Soraya Carvalho explica que o COB passou um mês preparando os atletas para a viagem a Londres, conversando com suas famílias e treinadores.

"Não é turismo, e eles estão bem focados na experiência", diz ela, ressaltando, porém, que não foi estabelecida uma meta para os jovens e que a ideia não é pressioná-los.

O Vivência Olímpica selecionou os 11 atletas em conjunto com as confederações brasileiras, identificando jovens de modalidades individuais ou em dupla que, segundo o COB, têm históricos de bons resultados na categoria de base (alguns já nas categorias adultas). O principal critério de escolha foi o bom desempenho dos atletas nos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura-2010, campeonatos e ranking mundiais.

A programação em Londres, de quatro dias, inclui conversas com veteranos como o técnico Bernardinho (vôlei), visitas à Vila Olímpica e ao Crystal Palace (onde se concentra a maioria dos atletas brasileiros) e, em alguns casos, treinamento com as respectivas modalidades.

Carvalho explica que é a primeira vez que o COB implementa o programa e que os próximos passos estão sendo planejados. Os demais 11 atletas do Vivência Olímpica virão a Londres em grupos escalonados, para visitas de quatro dias.

"A inspiração é o programa Team Behind the Team, que a Grã-Bretanha fez em Pequim e repete em Londres. A ideia é que os atletas conheçam a vila, seu funcionamento, participem de treinamentos e até aprendam a dar entrevistas à imprensa."

Pressão olímpica

Para o paraibano Vitor Felipe, do vôlei de praia, duplas que num campeonato menor poderiam ser mais fáceis de derrotar se tornam grandes obstáculos quando se trata de uma Olimpíada. "Vi duplas das quais eu tinha ganhado e que aqui em Londres estão muito competitivas", diz.

Martine Grael, 21, filha de Torben, passou perto da classificação para Londres-2012, mas não conseguiu. Quer aproveitar a oportunidade em Londres para "se inspirar" para daqui a quatro anos. "Fico chateada, porque trabalhamos muito pela classificação. Mas vai ser bom. Quero conquistar o que perdi."

Os atletas dizem que o fato de serem considerados "promessas" não gera pressão extra sobre o seu desempenho no Rio, mas alguns já trabalham com o pódio de 2016 em mente. "Meu objetivo é já começar a somar pontos para uma medalha em 2016", diz Flavia Gomes.

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