Londres 2012: 'Sem-ingressos' apelam para não perder competições do Brasil

Atualizado em  2 de agosto, 2012 - 10:40 (Brasília) 13:40 GMT
Jader Segato (Foto BBC)

Jader Segato: Amigo de Cielo conseguiu ingresso para ver o brasileiro nadar

Uma das primeiras mensagens que os visitantes ouvem ao chegar aos portões do Parque Olímpico, complexo construído no Oeste de Londres para abrigar boa parte das competições dos Jogos, é "não há ingressos à venda nesse local". A informação é repetida à exaustão por auto-falantes e pode ser explicada em idiomas estrangeiros pela equipe contratada para ajudar os visitantes.

Mas a mensagem não sobreviveu ao "jeitinho". Enrolado na bandeira do Brasil, Jader Segato, engenheiro de Santa Bárbara do Oeste e amigo de infância do nadador Cesar Cielo, carregava na última quarta-feira uma placa com uma outra mensagem, telegráfica: "Preciso de ingresso. Sexta-feira. Natação."

A haste e estrutura da placa foram montadas com palitos de madeira usados para mexer café nos quiosques que vendem refrescos e lanches nas proximidades do Parque Olímpico. O apelo telegráfico foi escrito em uma folha de caderno.

"Tentei comprar bilhetes para a natação por meio da empresa credenciada, mas não consegui. Há até parentes do Cielo sem entradas", ele contou à BBC Brasil.

Depois de alguns minutos, a estratégia da placa funcionou. Uma chinesa disse ter ingressos de amigos que não poderiam comparecer à competição e vendeu um deles por um terço do valor "oficial" para reduzir seu prejuízo.

No fim do dia, Jader saiu da competição pelos 100 metros livre chateado por Cielo ter ficado fora do pódio, mas feliz por ter o ingresso para a competição desta sexta-feira, em que o nadador brasileiro, que ele conhece desde os nove anos, tentará defender seu ouro nos 50 metros.

Bruno Camargo com seu ingresso para a natação (foto: Ruth Costas / BBC Brasil)

Bruno Camargo conseguiu trocar um ingresso para o basquete por um para a natação

"É difícil conseguir ingressos na hora ou dias antes da competição, mas vale a pena arriscar", diz Jader.

Troca

Bruno Camargo, de São José do Rio Preto, em São Paulo, adotou a mesma estratégia para conseguir entradas para a natação na quarta-feira. Ele tinha ingresso para um jogo de basquete sem o Brasil. Queria trocar por uma entrada para o Centro Aquático, aonde o País teria chance de medalha.

Conseguiu um ingresso para a natação com um outro visitante estrangeiro e faltando apenas 45 minutos para o início da competição ainda tentava "passar adiante" a entrada para o basquete, no mesmo horário.

Outros brasileiros tentavam a sorte na frente do Estado Olímpico para ver Cielo nadar, como o carioca Gabriel Jorio e um grupo de amigos. Alguns, não tiveram tanto sucesso, apesar de, dentro do Centro Aquático, haver um número razoável de cadeiras vazias – a maior parte nas áreas mais caras, mas algumas também nas de preço mais acessíveis.

Os sem-ingressos que residem na Grã-Bretanha são instruídos a acessar o site oficial dos Jogos, mas, a página indica que as entradas estão esgotadas para a maior parte das competições, apesar de o problema dos "assentos não ocupados" em modalidades ultra-concorridas ter se tornado uma das principais preocupações dos organizadores da Olimpíada de Londres.

Os não-residentes, porém, teoricamente só podem comprar da revendedora oficial para seu país – no caso dos Brasileiros a Tamoyo lnternacional, que tem disponibilizado alguns ingressos em seu escritório em Londres.

A rotina de quem cruzou o Atlântico para acompanhar a Olimpíada mas ainda está sem ingresso implica em acordar cedo para fazer fila na sede da Tamoyo, no hotel Kingsway Hall.

Instrução contrária

Alguns brasileiros que não podem ir a determinadas competições por um motivo ou outro também vão ao local para tentar trocar as entradas.

Gabriel Jorio e amigos (Foto BBC Brasil)

O carioca Gabriel Jorio e alguns amigos resolveram arriscar a sorte na frente do Parque Olímpico

Mas o número de ingressos disponibilizados pela Tamoyo não é suficiente para suprir essa demanda de última hora, principalmente nas modalidades mais concorridas. Por isso, alguns se aventuram a ir para a frente dos estádios e do Parque Olímpico, apesar das instruções contrárias das autoridades dos Jogos.

"Uma boa estratégia, principalmente se você está sozinho, é ficar perto do local onde as pessoas que fizeram a compra online recolhem seu ingresso – porque às vezes elas têm um amigo que não pode vir", conta Jorio.

E não são só os brasileiros que resolvem arriscar. Na quarta-feira, também havia torcedores de ouras nacionalidades sem ingresso na porta do Parque Olímpico, como espanhóis.

Apesar da forte presença policial, pelo menos um cambista abordou um grupo de visitantes enquanto eles eram entrevistados pela BBC Brasil oferecendo ingressos mais caros que seu valor oficial. Alguns torcedores relataram também terem sido abordados em outras ocasiões.

Segundo a Tamoyo, brasileiros compraram um total de 50 mil ingressos para a Olimpíada de Londres, contra 18 mil em Pequim. Mas para o torcedor Marcio Castello, do Rio de Janeiro, que conseguiu comprar 30 entradas, um dos problemas do sistema de distribuição de ingressos é que não há uma forma de não-residentes trocarem os tickets que não vão usar.

"Se o Brasil não se classificou para a semi-final de uma determinada modalidade, por exemplo, não tenho tanto interesse em ir a essa competição", diz Marcio. "Torcedores de outras nacionalidades também podem estar com ingressos que não vão usar e no qual o Brasil vai competir – então seria interessante um sistema para permitir essa troca."

O brasileiro diz que já deixou de ir em quatro competições. "No caso, essas cadeiras ficaram vazias", completa.

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