Londres 2012: Zanetti credita ouro inédito a estratégia e concentração

Arthur Zanetti (Getty Images) Direito de imagem BBC World Service
Image caption O ginasta diz que também treinou muito o lado psicológico para suportar final

O ginasta brasileiro Arthur Zanetti conquistou nesta segunda-feira a primeira medalha da história da ginástica artística brasileira e ainda realizou duas proezas: foi medalhista de ouro – superando o tetracampeão mundial chinês Chen Yibing – e fez isso competindo nas argolas, modalidade de pouca tradição no Brasil.

"Me sinto muito bem, sinto satisfeito pela medalha que é pelo Brasil – a primeira medalha na ginástica. Estou bem satisfeito pelo meu esforço e por todos os profissionais que me ajudaram a conquistar essa medalha", disse Zanetti, logo após descer do pódio.

O ginasta revelou ter usado dois artifícios para conseguir subir ao pódio na ginástica artística.

Sua primeira tática foi traçada ainda nas eliminatórias para a prova. Zanetti fez questão de se classificar na décima posição – podendo assim se apresentar por último na final. Na visão do brasileiro, essa estratégia colocaria mais pressão em seus concorrentes do que nele próprio.

"Foi uma estratégia que eu e o meu técnico fizemos na classificatória para não se classificar em primeiro, porque o primeiro [na classificatória] seria o primeiro a se apresentar, e isso é ruim. Resolvemos ficar um pouco mais para trás e acabamos pegando o quarto lugar [décimo no geral], que é o último a se apresentar. É excelente, eu adoro", disse Zanetti.

"Passam todos os ginastas na frente, os árbitros já vão pegando as diferenças de um para outro, e por isso acaba sendo melhor para o último, eu acho."

A segunda estratégia de Zanetti foi concentração total. Durante a final, ele sequer assistiu à rotina de seus adversários e preferiu se concentrar na área de aquecimento.

"Eu não fiquei vendo a série deles. Não prestei atenção. Só fiquei prestando atenção na minha série, e me mantendo calmo para fazer uma série excelente."

‘Senhor dos Anéis’

O primeiro a se apresentar foi o favorito, o chinês Chen Yibing, que é tetracampeão mundial e foi medalhista de ouro nas argolas em Pequim, onde é conhecido como "Senhor dos Anéis". Apesar de uma lesão recente no joelho, Chen mostrou-se muito confiante durante toda a apresentação. Após uma bela saída, foi ovacionado no estádio e fez o gesto de "número um" para o público.

Obteve nota de 15,8 e permaneceu no topo do placar durante toda a competição, até a apresentação de Zanetti. Logo em seguida, o italiano Matteo Morandi e o russo Alexandr Balandin marcaram notas de 15,733 e 15,666, respectivamente.

Calmo, Zanetti subiu às argolas e executou sua rotina com facilidade e teve saída quase perfeita. Obteve a mesma nota de dificuldade de Yibing e de Matteo, mas foi melhor na execução: 9,1, contra 9 de Yibing e 8,9 de Morandi. Mesmo antes da divulgação da nota do brasileiro, o telão do estádio revelou a feição preocupada do chinês.

Quando a nota final de Zanetti – 15,9 – foi divulgada, o estádio aplaudiu de pé o ginasta.

Chen revelou posteriormente que chegou mais bem preparado a Londres 2012 do que em Pequim 2008, quando foi medalhista de ouro. Apesar de sua grande confiança em um bom resultado, não gostou da nota que recebeu, mas fez questão de elogiar o brasileiro.

"Eu fiz meu melhor, para o que treinei. Quando saiu a nota, fiquei um pouco decepcionado, porque vi que podia ser melhor. Tenho que parabenizá-lo [Zanetti], porque ele é excelente", disse Chen.

Pressão psicológica

Já Zanetti se disse satisfeito com seu desempenho, e revelou que, apesar de não observar a rotina de seus adversários, estava ciente das notas que estavam saindo.

"Quando olhei a nota dele [Chen Yibign], pensei que não é impossível. Vai ser muito difícil, mas não é impossível. E na hora certa a minha concentração veio", disse Zanetti.

"Eu gostei de todos os elementos que fiz. Elemento por elemento. Foram muito bons. Principalmente o primeiro e o segundo que são os mais difíceis e senti uma facilidade, acho que pela adrenalina também. Acabou saindo até mais fácil e acho que a série inteira foi do meu agrado", disse Zanetti.

Perguntado sobre como superou a pressão de estar em uma Olimpíada, em comparação com colegas de ginástica que não chegaram às finais, como Daiane dos Santos e Diego Hypólito, Zanetti disse que torceu pelos colegas, mas que não sabe avaliar o que houve com cada um.

"Eu trabalhei muito o psicológico para aguentar uma final olímpica. Não é fácil. Não sei se outros atletas que tinham a oportunidade de ser medalhistas e não conseguiram, não sei se foi por falta de trabalho psicológico ou de treino. Eu sei de mim. Eu trabalhei muito o psicológico para aguentar essa pressão na hora e suportei bem."

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