Londres 2012: Conheça o treinador por trás da velocidade de Bolt e Blake

Atualizado em  7 de agosto, 2012 - 14:58 (Brasília) 17:58 GMT
Yohan Blake (esq) ao lado do treinador Glen Mills, em janeiro (AP)

Blake (acima, à dir, ao lado de Yohan Blake) é obcecado pela técnica do atletismo

Para triunfar no atletismo, como em qualquer outra disciplina, há regras, receitas, livros. E há um certo Glen Mills.

É a este técnico que se atribui o fato de seu país, a Jamaica, ter conquistado mais de cem medalhas olímpicas e o mundial em provas de velocidade.

No último fim de semana, veio a cereja do bolo do treinador: a Jamaica levou as medalhas de ouro e prata com os mais famosos pupilos de Mills - o recordista mundial dos 100m rasos, Usain Bolt, e o campeão mundial da mesma categoria, Yohan Blake.

"Mister Mills", como é chamado pelos seus colegas, suou tanto pelas medalhas quanto seus atletas. Este jamaicano de 62 anos transpira atletismo - e consegue resultados.

"Tudo já foi dito sobre Mister Mills, não é mesmo?", diz à BBC Mundo, em Kingston, Cynthia Cooke, a secretária do Racers Track, clube presidido por Mills onde treinam a elite e as jovens promessas do atletismo jamaicano.

Mas se há algo que já foi dito é que Mills não gosta de atenção. "Ele gosta de falar e é muito articulado", justifica Cooke, que conhece Mills há mais de 50 anos. "Ele simplesmente não acha necessário estar sob o escrutínio público."

"Não me importo em ser ignorado", disse Mills recentemente ao jornal britânico Guardian.

No entanto, se ele não se importa em ser ignorado pela imprensa, o mesmo não vale para seus atletas.

"Se ele diz (ao atleta) que quer que ele corra 150m, quer 150m. Se (o atleta) diz que que algo não está bom, ele vai perguntar o que é, o que ele está sentindo exatamente. Ele sabe quando o atleta está fingindo ou fazendo corpo mole", prossegue Cooke.

Usain Bolt é um dos atletas treinados por Mills

Mills tampouco gosta de muita falação durante os treinos - apesar do estilo de Bolt ser dado a "argumentar e a conversar".

Segredo do sucesso

Curiosamente, Mills diz nunca ter corrido em velocidade máxima, a não ser "para fugir do perigo". Ele tentou virar atleta aos 13 anos, quando entrou na equipe de atletismo de sua escola, mas não gostou de seu desempenho.

No entanto, a pista continuou a chamá-lo. E Mills continuou assistindo aos treinos de atletismo, para observar e aprender com o técnico.

Daí nasceu uma carreira ascendente dentro das organizações esportivas da Jamaica, das quais se afastou em 2009 para se dedicar ao Racers Track.

Questionado sobre o segredo de seu sucesso, Mills cita sua obsessão pela técnica.

"A velocidade é o meu objetivo número um", declarou ele na entrevista ao Guardian. "Amo o que eu faço, trabalho duro, faço muita pesquisa e trato de dar o meu melhor", disse também ao dar entrevista a uma TV local.

Além disso, Mills tem uma sensibilidade especial para identificar pontos fortes e o potencial de cada atleta, algo considerado um ingrediente central em seu mérito de treinar os maiores corredores da atualidade.

"(Mills) sente que existe um manual, uma receita que todos usam, mas também sente que é preciso algo mais. E ele sempre está buscando esse algo mais, o que faz o atleta diferente dos demais. Ele faz de cada atleta algo especial", afirma Cooke.

Mills dedicou sua vida ao atletismo, sem nunca ter se casado ou tido filhos

Considerado uma pessoa dedicada a seus atletas, Mills é alvo da admiração deles. "Ele é amigo e mentor (dos atletas). Eles o consultam para todos os planos que fazem para sua vida", diz a secretária.

Vida dedicada às pistas

Pode-se dizer que a pista é a sua casa, e os atletas são sua família. Mills nunca se casou ou teve filhos.

As pessoas próximas a ele contam histórias sobre sua generosidade com os jovens que treina, muitas vezes com recursos limitados. Uma vez, diz Cooke, os atletas levantaram a possibilidade de juntar dinheiro para ajudar Mills a encontrar uma esposa, "porque ele não tinha nada a oferecer a nenhuma mulher".

Mills também tem um forte lado religioso. É cristão, vai à igreja regularmente e "crê (no poder) de suas orações", segundo Cooke.

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