Brasileiro atribui derrota a 'falta de força política' do Brasil no taekwondo

Atualizado em  9 de agosto, 2012 - 19:50 (Brasília) 22:50 GMT
Diogo Silva (Foto:AFP/Getty Images)

Diogo Silva diz que não sabe se tem 'estômago' para tentar competir nos Jogos do Rio em 2016

O lutador de taekwondo Diogo Silva repetiu em Londres 2012 seu melhor desempenho olímpico e acabou eliminado na luta que poderia ter lhe rendido a medalha de bronze. Nesta quinta-feira, no Excel Centre, ele perdeu de forma dramática a disputa pelo terceiro lugar com um golpe desferido pelo americano Terrence Jennings no último segundo da luta.

Inicialmente, a pontuação pelo golpe desferido não foi marcada para o americano. No entanto, no taekwondo os técnicos dos atletas podem entrar com um recurso durante a luta, obrigando os árbitros a reverem em vídeo um lance e revisarem suas decisões.

Após recurso, os árbitros deram os pontos ao americano, que ficou com a medalha de bronze. Diogo Silva protestou muito, mas acabou Londres 2012 como em Atenas 2004, sem medalhas e fora do pódio por muito pouco.

No caminho para o vestiário, reclamou para jornalistas que o Brasil não é favorecido por decisões da arbitragem por não ter força política no esporte e disse não saber se tem "estômago" para tentar voltar às Olimpíadas em 2016.

Arbitragem

No taekwondo, os atletas ganham pontos por desferir golpes na cabeça e no tórax dos adversários. Ao final de três rounds, quem acumular mais pontos ganha a luta.

No confronto que valia a medalha de bronze, Diogo chegou a estar perdendo por 5 a 0, mas em uma reação incrível que começou ainda no segundo round, conseguiu empatar a luta graças a três golpes e uma punição ao seu adversário.

No último instante da luta, Jennings disse ter acertado Silva com um chute na cabeça. O brasileiro argumentou que o lance aconteceu depois de já ter acabado a luta. No entanto, os árbitros marcaram três pontos para o americano, que venceu por 8 a 5.

"Eu acho que você tem que ter poder político, força política. O nosso esporte não tem força política. As decisões são tomadas com membros de comitês internacionais e da WTF [Federação Mundial do Taekwondo]", disse o brasileiro, inconformado com a decisão.

"O Brasil não tem nenhuma pessoa lá no taekwondo. Nós não temos nenhum árbitro internacional. Nós não temos nenhum manager. Então na hora de [o árbitro] tomar uma decisão, nunca vai vir para o Brasil."

O brasileiro já tinha reclamado após o confronto na semifinal, onde saiu derrotado pelo campeão mundial Mohammad Bagheri Motamed, do Irã, e acabou impedido de disputar o ouro na categoria de até 68 kg.

O iraniano abriu uma grande vantagem em relação a Diogo – de 5 a 1 – e manteve esse escore até quase o fim da luta.

A cinco segundos do final, quando só um "milagre" salvaria o brasileiro, Diogo Silva conseguiu um difícil chute na cabeça com movimento giratório – que confere a pontuação máxima no taekwondo. No entanto, os pontos não foram marcados, e o técnico brasileiro precisou entrar com recurso para os juízes analisarem o golpe no vídeo.

Com decisão favorável, o placar terminou empatado em 5 a 5 e a luta foi para a morte súbita. Apesar da grande agressividade de ambos oponentes, nenhum deles conseguiu marcar pontos. O vencedor precisou ser decidido pelos juízes, que optaram pelo iraniano, para a decepção de Diogo.

Reclamações

Ao ser derrotado na disputa pelo bronze, Diogo fez diversas reclamações. Disse que sentiu dores e hipoglicemia, e que quase não entrou para disputar a medalha.

Também disse que apesar da idade avançada para os padrões do intenso esporte – 30 anos – teria ainda condições físicas de disputar vaga para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, mas que já não sabe se tem estômago para enfrentar as dificuldades do esporte, como a falta de apoio.

"Eu preciso estar com saúde psicológica muito grande para ir para 2016. As coisas acontecem, você vai para os Jogos Olímpicos e daí pronto, você é o rei. Mas não é assim. Em um ciclo olímpico com tantos desafios, você ser o rei só por seis meses... Eu não sei se tenho estômago para isso de novo. Vou descansar e ver. Se tiver que ser, vai ser", disse.

O atleta – que também é militar na Marinha – estava há oito anos sem competir em uma Olimpíada. Ele começou a chamar atenção no esporte em Atenas 2004, onde acabou em quarto lugar. Três anos depois, no Rio de Janeiro, foi medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos.

No entanto, não conseguiu se classificar para os Jogos de Pequim em 2008. Nos últimos anos, fez um trabalho forte para conseguir voltar a disputar uma Olimpíada. Ganhou ouro nos Jogos Mundiais Militares de 2011 e conseguiu a classificação para Londres 2012.

"Sem medalha olímpica, você volta para o buraco de novo. Vou voltar para o meu buraco e cavar até sair no céu de novo", concluiu, após a eliminação.

No sábado, Natália Falavigna – a outra atleta do Brasil no taekwondo em Londres 2012 – começará sua disputa por uma medalha. Em Pequim 2008, ela foi medalha de bronze.

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