Assange quer garantias da Suécia para deixar embaixada, diz advogado

Atualizado em  19 de agosto, 2012 - 09:19 (Brasília) 12:19 GMT
Simpatizantes de Assange diante da Embaixada do Equador em Londres, neste domingo (AFP)

Simpatizantes de Assange foram à porta da embaixada protestar contra a extradição do australiano

Baltasar Garzón, advogado de Julian Assange, disse neste domingo que o criador do site WikiLeaks está "disposto a responder pelas acusações" que enfrenta na Suécia, mas quer "garantias" de que não será extraditado.

Assange está abrigado na Embaixada do Equador em Londres desde junho, na tentativa de escapar de um pedido de extradição para a Suécia - onde enfrenta duas acusações de abuso sexual em 2010, as quais nega.

O criador do WikiLeaks alega que, da Suécia, pode ser extraditado aos EUA, onde poderia enfrentar acusações de espionagem por ter revelado documentos diplomáticos do país.

"(Assange) quer garantias mínimas das autoridades suecas, que não foram outorgadas", afirmou Garzón à imprensa, diante da embaixada do Equador. O jurista espanhol é famoso por ter, quando desempenhava o papel de juiz em seu país, ordenado a prisão do ex-líder chileno Augusto Pinochet.

Baltasar Garzón, neste domingo

Jurista espanhol disse que Assange está agradecido ao Equador, que lhe concedeu asilo

Garzón também afirmou que o criador do WikiLeaks está "com espírito combativo" e "agradecido" ao povo equatoriano.

Na última quinta-feira, o australiano de 41 anos teve seu pedido de asilo concedido pelo Equador - sob a alegação de que Assange pode ser vítima de perseguição política. Mas criou-se um impasse: a Grã-Bretanha não deu salvo-conduto para a saída de Assange rumo ao Equador. Assim, ele pode ser detido pela polícia britânica assim que pisar fora da embaixada equatoriana, antes de chegar ao aeroporto.

Protocolos internacionais estabelecem que territórios diplomáticos não podem ser violados pela polícia, a não ser que com a permissão do chefe da missão diplomática em questão.

Mas o repórter da BBC Andrew Plant, que está nos arredores da embaixada (na luxuosa região de Knightsbrige, no centro de Londres), explica que Assange sequer pode usar alguns dos corredores internos do prédio, que são compartilhados com a embaixada da Colômbia e não são território protegido pela jurisdição diplomática.

Perfil: Julian Assange

Para seus simpatizantes, Julian Assange é um corajoso ativista pela verdade. Para críticos, é alguém que quer atrair a atenção da mídia divulgando segredos que colocam vidas em perigo.

Segundo pessoas próximas ao australiano de 41 anos, Assange é uma pessoa intensa, motivada e muito inteligente, dono de uma habilidade excepcional para decifrar códigos de informática.

Em 2006 ele criou o WikiLeaks, site que ficou famoso por publicar documentos e imagens confidenciais - a começar por imagens, divulgadas em abril de 2010, de soldados americanos matando 18 civis no Iraque.

Depois disso, o site levou ao público milhares de documentos diplomáticos internacionais.

Mas Assange foi preso na Grã-Bretanha depois que a Suécia emitiu um pedido de prisão internacional para que o australiano responda por duas acusações de abuso sexual. Ele alega que as relações foram consensuais e se refugiou na embaixada do Equador em junho.

Por isso, o pronunciamento de Assange, que segundo um post na conta de Twitter do WikiLeaks ocorrerá neste domingo, às 14h (10h em Brasília), está cercado de expectativas. A rua da embaixada passou o dia repleta de policiais e simpatizantes do WikiLeaks levando cartazes de apoio ao australiano.

Impasse diplomático

Na quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores britânico enviou um comunicado ao governo do Equador dizendo que a Grã-Bretanha estava "determinada" em cumprir sua obrigação de extraditar Assange à Suécia e que, de acordo com uma lei nacional, poderia "revogar a imunidade diplomática" da embaixada e prender o australiano no interior do prédio.

Mas analistas afirmam que, se a Grã-Bretanha de fato violar a integridade da embaixada equatoriana, pode ser alvo de duras críticas internas e da comunidade internacional.

O impasse será tema de uma reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos), na próxima sexta-feira.

Em um pronunciamento na semana passada, o presidente do Equador, Rafael Correa, sugeriu que Assange poderia cooperar com as autoridades suecas caso haja um acordo para que ele não seja extraditado a um terceiro país.

A Suécia, por sua vez, criticou o Equador, alegando ser "inaceitável que o país queira impedir o andamento do processo judicial sueco". O país quer a extradição de Assange para poder questioná-lo a respeito das acusações de abuso.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.