Presidente do Equador diz que caso de Assange poderia 'terminar amanhã'

Atualizado em  23 de agosto, 2012 - 19:56 (Brasília) 22:56 GMT
Presidente do Equador Rafael Correa (foto: AFP)

Presidente Rafael Correa afirma que impasse sobre Assange poderia ser solucionado rápido

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse nesta quinta-feira à BBC que o impasse diplomático com a Grã-Bretanha "poderia ser resolvido amanhã", se os britânicos concederem um salvo-conduto para Julian Assange.

Caso isso não aconteça, "a situação pode se arrastar por meses e anos", afirmou Correa ao correspondente da BBC Will Grant.

Embora tenha recebido asilo do governo equatoriano, o fundador do WikiLeaks está refugiado desde junho na representação do país em Londres.

O governo da Grã-Bretanha quer prender Assange para cumprir um acordo de extradição de presos que possui com a Suécia - onde ele é acusado de crimes sexuais.

Diplomatas equatorianos da embaixada em Londres disseram mais cedo que a retirada da "ameaça" de prisão de Assange seria encarada pelo país como um gesto de boa-fé da chancelaria britânica.

Porém, a Grã-Bretanha afirma ter "obrigação legal" de colaborar com o envio de Assange à Suécia. O governo teria até invocado uma lei interna para levantar a hipótese de que a embaixada do Equador fosse invadida para o cumprimento do mandado de prisão.

Um grande número de policiais foi colocado em frente à representação com ordens para capturá-lo caso apareça na rua.

Carta

Após uma semana sem contatos entre os dois países sobre o assunto, a chancelaria britânica enviou nesta quinta-feira uma carta à embaixada equatoriana.

Um porta-voz britânico disse à BBC Mundo que o objetivo da correspondência é acalmar a situação e abrir caminho para a retomada das negociações sobre o futuro de Assange.

Diplomatas equatorianos disseram estar esperançosos de que uma solução negociada seja alcançada. Porém, afirmaram que o australiano de 41 anos poderá ficar na embaixada em Londres "pelo tempo que for necessário".

"Ele pode ficar aqui por oito anos... dois séculos. O quanto ele quiser", disse um deles.

Eles afirmaram ainda que ficaram surpresos com o fato de o governo do Reino Unido não retirar a "ameaça" de invasão da embaixada.

A ação não é pré-condição para o início das negociações, mas "seria uma indicação de boa-fé".

Os diplomatas equatorianos disseram ainda que, antes da entrega da carta, os britânicos já vinham fazendo contato com países sul-americanos em uma possível tentativa de reaproximação com o Equador.

Cama de ar

Os chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) devem se encontrar na sexta-feira para discutir o impasse.

Segundo a correspondente diplomática da BBC Bridget Kendall, a Grã-Bretanha sempre insistiu que desejava resolver a negociação por meio do diálogo e deve tentar reiterar essa posição na reunião.

Porém, a chancelaria britânica diz esperar que a maioria dos participantes tome partido do Equador.

Enquanto isso, detalhes da estada de Assange na embaixada começam a vir a público.

O fundador do WikiLeaks está dormindo em um colchão inflável trazido às pressas por um diplomata. Ele está instalado em uma sala do andar térreo da representação.

Os equatorianos também compraram uma geladeira para Assange, pois a representação é pequena e não possui cozinha, segundo Caroline Hawley, correspondente de relações internacionais da BBC.

Os funcionários da embaixada disseram ainda que ficaram surpresos quando Assange chegou no dia 14 de junho. Afirmaram que apesar de tudo, a rotina da representação já teria voltado ao normal.

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