Mulher diz que se passou por jornalista da Al-Jazeera em 'confissão forçada'

Atualizado em  28 de agosto, 2012 - 06:27 (Brasília) 09:27 GMT
Imagem de Alaa Morely na TV síria

Morely havia dito à TV síria ser uma ativista que 'fabricava' relatos contra o governo

Uma jovem que havia "confessado" ter inventado fatos sobre o governo sírio afirma agora ter sido coagida a fazer sua confissão.

O rosto da síria Alaa Morely ganhou notoriedade quando, em junho, ela deu uma entrevista à TV estatal de seu país admitindo que inventava reportagens para o canal árabe de notícias Al-Jazeera.

No entanto, em entrevista à BBC, Morely - hoje refugiada na vizinha Turquia - conta que foi forçada (enquanto estava presa) a fazer o relato que foi ao ar na TV síria.

Na ocasião, Morely foi apresentada como se fosse Benan Hassan, uma ativista conhecida por fazer relatos frequentes, por telefone, à Al-Jazeera. Na confissão, ela disse ter sido contatada por alguém oferecendo-lhe um posto de correspondente, em que tudo o que ela teria que fazer era ler notícias que já chegariam às suas mãoes escritas. O objetivo das notícias seria desacreditar o governo sírio.

'Confissão'

Mas nada disso era verdade, ela afirma. Apesar de aparentar calma durante sua aparição na TV estatal, Morely diz ter sito obrigada a fazer a confissão.

A história da confissão forçada, segundo Morely, começou no dia 12 de junho, quando foi presa ao sair da Universidade de Latakia, onde cursava o terceiro ano de História.

Apesar de flertar ocasionalmente com ideias oposicionistas, ela diz que seu envolvimento com atividades contra o governo não era sério.

Ao ser interrogada, disse que achou se tratar de um caso de confusão de identidade, já que seus interrogadores a tratavam como sendo Benan Hassan.

Após horas de questionamentos, ela disse que "confessou" ser a ativista para satisfazer os interrogadores. Morely ficou então detida por dois meses.

Alaa ao lado de comandantes rebeldes

Entrevista à BBC foi concedida ao lado de líderes rebeldes que ajudaram em sua libertação

Ela disse não ter sofrido violência física durante o período, apenas abusos verbais. Ouvia, de tempos em tempos, o que parecia "o som da cabeça de alguém sendo batida contra a parede".

'Liberdade'

Ela não sabia, mas, durante o período, forças oposicionistas negociavam sua libertação, em troca de integrantes de uma milícia pró-governo.

O comandante rebelde Said Tarboush, que acompanhou a entrevista à BBC, diz que forças do regime planejavam uma armadilha na hora da troca. Os integrantes da milícia foram soltos, mas o mesmo não ocorreu com Morely e sua mãe – que também estava presa.

Ele diz que a libertação aconteceu apenas horas depois, quando os rebeldes ameaçaram incendiar as vilarejos pró-governo da região de Latakia. A região é conhecida como um reduto de apoio ao presidente Bashar al-Assad.

Morely afirma desejar voltar à cidade, mas a experiência a transformou.

"Quero continuar no caminho que eles me forçaram a tomar. No começo, não tinha nada a ver com o que me acusaram, mas agora desejo continuar até o fim, até a vitória de nossa revolução", diz ela.

*Com informações de Gabriel Gatehouse

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