Prisão de cartunista provoca críticas na Índia

Atualizado em  10 de setembro, 2012 - 08:10 (Brasília) 11:10 GMT
Assem Trivedi sob custódia da polícia

Cartunista, Assem Trivedi, sob custódia da polícia em Mumbai. (Foto: India Against Corruption)

A prisão de um cartunista em Mumbai, na Índia, sob a acusação de incitar motim, provocou uma onda de críticas na Índia.

Assem Trivedi foi preso pelas caricaturas que, supostamente, fariam chacotas da Constituição do país e por insultar a bandeira nacional.

O cartunista integra um movimento anticorrupção no país, liderado pelo ativista Anna Hazare, que usa métodos de não-violência, como greves de fome.

Se for condenado pela acusações de motim, Trivedi pode ser sentenciado a três anos de prisão.

A polícia resolveu prendê-lo após as queixas de um advogado de Mumbai, que disse que as caricaturas seriam "anti-Índia".

A imprensa do país e várias personalidades condenaram a prisão.

"Pelas informações que eu tenho, o cartunista não fez nada de ilegal, na verdade, prendê-lo foi um ato ilegal", disse o presidente do Conselho de Imprensa da Índia, Markandey Katju, ao jornal The Hindu.

"Uma prisão ilegal é um crime muito sério no código penal indiano e quem deveria ser detido são os que efetuaram a prisão, quem deveriam ser detidos"

Para Katju, que é ex-ministro da Suprema Corte, desenhar uma caricatura não pode ser considerado um crime e os políticos deveriam a aprender a aceitar críticas.

"Este tipo de comportamento não é aceitável em uma democracia", disse ele.

O comentarista político da CNN-IBN, Rajdeep Sardesai, também criticou a prisão, dizendo ser "engraçado" que as autoridades aceitam "discursos que incitam o ódio", mas prendem alguém por "paródias e sátiras políticas".

No Twitter, várias pessoas também se manifestaram contra a prisão do cartunista.

Essa não foi a primeira vez que as autoridades indianas promovem ações contra a publicação de cartuns.

Em abril, a polícia prendeu um professor em Calcutá por ter postado na internet cartuns que satirizavam a governadora de Bengala Ocidental, Mamata Banerjee. Ele foi liberado, em seguida.

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