Cresce a demanda por detectores de mentira na Índia

Atualizado em  16 de setembro, 2012 - 15:52 (Brasília) 18:52 GMT
Detector de mentiras

Muitos empregadores estão usando o equipamento para testar honestidade de futuros empregados

Cresce a procura, na Índia, por companhias particulares oferecendo testes para detectar mentiras.

Entre os clientes dessas empresas estão, por exemplo, empregadores que desejam testar a honestidade de futuros empregados ou casais em desavença por suspeita de infidelidade.

Porém, o uso desse tipo de teste, sujeito a grandes margens de erro, preocupa profissionais que acusam empresas e indivíduos de estarem fazendo justiça com as próprias mãos.

Deepti Puranaik, que trabalha para a companhia Helik Advisory, com sede em Mumbai, faz vários testes desse tipo por semana.

"Há casos de infidelidade, onde uma esposa suspeita de que seu marido a esteja traindo. Em outros casos, um roubo pode ter ocorrido e um empregador quer saber quem pode estar envolvido", explicou Puranaik.

A empresa, no mercado há um ano, cobra entre US$ 150 e US$ 300 pelo teste, que é feito com um aparelho chamado polígrafo.

Ele mede e grava respostas fisiológicas de uma pessoa durante um interrogatório, como pressão, respiração, suor e batimentos cardíacos.

Os serviços de Puranaik também podem ser solicitados, por exemplo, quando uma empresa quer contratar um funcionário e deseja testar sua integridade, ou quando há roubos no lar.

Muitas vezes, a necessidade de absoluta confidencialidade leva o cliente a evitar o envolvimento das autoridades.

"Muitas pessoas não querem ir à polícia porque é demorado e qualquer coisa que chega à polícia é tornada pública", diz Rukmani Krishnamurthy, presidente da Helik Advisory e ex-chefe de investigações do governo do Estado de Maharashtra.

Máquina da Verdade

O psicólogo americano William Marston foi um dos primeiros defensores do uso de detectores de mentira.

Ele acreditava que mudanças na pressão sanguínea poderiam determinar se alguém estava mentindo.

O polígrafo moderno mede alterações na respiração, batimentos cardíacos e pressão sanguínea.

"Alguns clientes vêm até nós porque não querem que pessoas de fora saibam que houve um roubo específico em suas empresas".

Krishnamurthy disse que o teste só é feito com o consentimento da pessoa. E segundo ele, após concordar, a pessoa passa por uma série de entrevistas preliminares.

Puranaik diz que o teste pode também detectar a inocência de uma pessoa - não apenas a culpa.Mas admite que o polígrafo não é infalível.

"Eles têm uma precisão de 80%", ela disse.

Sem Valor Legal

Teste de mentira

Primeiro detector foi inventado em 1917 por Willaim Marston, que também criou a Mulher Maravilha

O polígrafo foi inventado em 1917 pelo americano William Marston, que também criou a Mulher Maravilha, personagem de histórias em quadrinhos que mais tarde deu origem à série homônima para a TV.

A máquina vem sendo usada na Índia há vários anos, inclusive pela polícia. Mas em 2010 a Suprema Corte do país declarou inválidas quaisquer evidências obtidas com o uso da máquina.

O tribunal determinou que os testes infringem as liberdades pessoais do indivíduo. Como resultado, ninguém pode ser compulsoriamente submetido a eles durante uma investigação.

Testes consensuais são permitidos, embora resultados obtidos só tenham valor como evidências de apoio. Não podem, sozinhas, ser a base de um veredicto de culpado.

Preocupação

A empresa Helik Advisory pertence a um pequeno grupo de companhias indianas que começaram a oferecer testes para detecção de mentira nos últimos cinco anos..

Detector de mentiras

Em 2010, a Justiça indiana declarou inválidas evidências judiciais obtidas com o uso da máquina

Em âmbito mais amplo, o mercado privado de investigações criminais na Índia também vem crescendo. Companhias oferecem vários tipos de serviço, como verificação de assinaturas (fraudes em cheques são um problema grande no país), análise grafológica (estudo da escrita de uma pessoa) e até testes de personalidade.

Com o rápido crescimento populacional na Índia e grandes pressões sobre a força policial do país, essas empresas preenchem um vão no mercado e dizem que seu trabalho permite que a polícia se concentre em crimes mais sérios.

Alguns profissionais, entre eles, advogados, acham preocupante que empresas particulares assumam esses papéis.

Bharat Chugh, um advogado que trabalha para a Suprema Corte da Índia, disse que é essencial que o setor seja melhor regulado.

"Acho que é uma tendência perigosa", disse. "Empresas particulares estão nisso para ganhar dinheiro, elas não estão a serviço do sistema Judiciário".

"As pessoas estão praticamente fazendo justiça com as próprias mãos, estão criando uma máquina paralela para resolver conflitos. Isso não é muito bom".

Mas Krishnamurthy argumenta que até que o governo possa construir mais laboratórios para investigações, empresas como a dele podem atender à demanda privada e pública, ajudando a reduzir as filas de processos atrasados.

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