Ministro do Paquistão oferece recompensa por morte de autor de filme anti-islâmico

Atualizado em  22 de setembro, 2012 - 17:13 (Brasília) 20:13 GMT
Protestos no Paquistão (Foto: AFP)

Paquistão é um dos países onde manifestações contra filme têm sido mais violentas

Um ministro paquistanês ofereceu neste sábado uma recompensa de US$ 100 mil (cerca de R$ 202,5 mil) pela morte do cineasta responsável pelo filme americano "Inocência de Muçulmanos", que vem provocando uma onda de protestos em diversos países por ser considerado ofensivo ao profeta Maomé.

O ministro de Ferrovias do país, Ghulam Ahmed Bilour, disse que pagará a recompensa de seu próprio bolso.

"Eu vou pagar US$ 100 mil a quem matar o realizador desse vídeo", disse o ministro. "Se alguém fizer outro material blasfemo parecido no futuro, eu também vou pagar US$ 100 mil para seus assassinos."

O ministro também convidou membros do Talebã e da Al-Qaeda a participar do que chamou de "obrigação sagrada".

"Eu digo a esses países: Sim, a liberdade de expressão está lá, mas vocês deveriam criar leis para pessoas que insultam nosso profeta. E se vocês não o fizerem, então o futuro será extremamente perigoso", afirmou o ministro.

A direção do partido do ministro, o ANP, disse à BBC que suas declarações revelam uma opinião pessoal, e não uma política do partido. No entanto, disse que não irá tomar nenhuma medida contra Bilour.

Filme

Apesar de toda a polêmica, ainda não se conhece a origem exata do filme "Inocência de Muçulmanos". O suposto produtor do filme, Nakoula Basseley Nakoula, permanece escondido.

Desde que um trailer do filme, dublado em árabe, foi divulgado na internet, há quase duas semanas, uma onda de protestos contra os EUA se espalhou por diversos países muçulmanos.

O Paquistão é um dos países onde as manifestações têm sido mais violentas. Na sexta-feira, mais de 20 pessoas morreram e cerca de 200 ficaram feridas em protestos contra o filme em diversas cidades do país.

O governo americano tem recomendado a seus cidadãos que evitem viajar para o Paquistão. A embaixada dos EUA no país também pagou por anúncios na TV paquistanesa mostrando o presidente Barack Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, condenando o filme.

Neste sábado, uma manifestação pacífica percorreu as ruas de Islamabad. Os manifestantes se reuniram em frente ao Parlamento entoando slogans contra o filme e pedindo punição aos realizadores.

Outros países

Diversos outros países registraram protestos neste sábado.

Na capital de Bangladesh, Daca, diversas pessoas ficaram feridas em confrontos entre centenas de manifestantes e a polícia.

Na Nigéria, dezenas de milhares de muçulmanos marcharam na cidade de Kano, no norte do país, em um protesto pacífico.

Os manifestantes gritavam: "Morte à América, morte a Israel e morte aos inimigos do Islã" e arrastaram bandeiras dos EUA e de Israel na lama.

Os EUA são o alvo principal dos protestos, mas a França também está em alerta depois que uma revista satírica francesa publicou nesta semana caricaturas do profeta Maomé.

Na sexta-feira, a França fechou embaixadas e missões diplomáticas em cerca de 20 países muçulmanos.

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