Aumento da dívida eleva pressão sobre governo da Espanha

Atualizado em  30 de setembro, 2012 - 20:37 (Brasília) 23:37 GMT
Protesto em Madri no último sábado, contra medidas de austeridade (Getty)

Governo defende medidas de austeridade para manter credibilidade do país, mas população protesta

Os níveis de endividamento da Espanha tendem a crescer no ano que vem, segundo previsão do próprio governo, o que coloca Madri sob pressão ainda maior para conter seus gastos.

No último sábado, o ministro do Tesouro, Cristobal Montoro, afirmou que a dívida deve alcançar o equivalente 85,3% da produção anual do país neste ano e chegar a 90,5% em 2013 - quase três vezes mais do que em 2008, quando estourou a bolha imobiliária espanhola.

O orçamento apresentado por Montoro prevê economizar 13 bilhões de euros no ano que vem, graças a cortes de gastos extremamente impopulares no país, em áreas como salários do funcionalismo, educação, saúde e serviços sociais, explica a agência Reuters.

Para observadores, a atual situação - de dívida crescente e dificuldade em obter dinheiro no mercado para pagá-la - coloca o país mais perto de precisar um pacote de resgate europeu, a exemplo de Irlanda, Grécia e Portugal. O prolema é que a economia da Espanha tem o tamanho das desses três países combinados.

Daqui a uma semana, o caso espanhol será discutido pelos ministros das Finanças da zona do euro; e, em 18 e 19 de outubro, o assunto volta à tona em uma conferência da União Europeia.

Antes disso, o país passará por um novo teste: na quinta-feira, a Espanha tentará vender seus títulos da dívida, com prazos de dois, três e cinco anos. O Banco Central Europeu procurou acalmar os mercados afirmando, no início de setembro, que comprará títulos de países afetados pela crise do euro.

Questão de tempo

Ainda assim, muitos analistas opinam que é uma questão de tempo para que a Espanha seja forçada a pedir um resgate para a União Europeia, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BCE.

Na última sexta-feira, uma auditoria mostrou que os bancos do país precisarão de uma injeção de 59,3 bilhões de euros (R$ 155 bilhões) para absorver as perdas que as instituições financeiras (especialmente os regionais, de poupança) podem sofrer com o calote dos empréstimos feitos durante o boom imobiliário na última década.

A expectativa é que boa parte dessa verba venha de fundos de resgates da zona do euro, mas uma outra parte pode ter de ser fornecida por investidores do setor privado.

O boom imobiliário começou quando a Espanha entrou na zona do euro: empréstimos baratos financiaram o mercado da construção civil e, de 2004 a 2008, o preço médio das casas chegou a subir 44%. Mas isso tornou-se insustentável com a crise econômica mundial e, desde então, os preços das casas caíram drasticamente. Muitos não puderam pagar seus empréstimos.

Protestos

Ao mesmo tempo, enquanto o governo tenta cortar gastos que acalmem investidores e ajudem a controlar seu déficit, as medidas de austeridade são alvo de fortes críticas da população do país, já penalizada com uma taxa de desemprego de cerca de 25% - a mais alta da Europa.

No último sábado, milhares de espanhóis foram às ruas de Madri em nova manifestação contra o plano de austeridade do premiê Mariano Rajoy.

Mas o ministro Montoro defendeu as medidas como necessárias para minimizar as tensões dos mercados e controlar a taxa de juros paga pela Espanha nos títulos da sua dívida (quanto mais altas as taxas, mais difícil fica para o país pagar suas dívidas; isso, por sua vez, diminui a confiança dos mercados e volta a elevar as taxas, num ciclo vicioso).

"Este é um orçamento austero, mas servirá para nos ajudar a superar esta longa crise econômica e mostrar que a Espanha é um parceiro confiável na Europa", afirmou Montoro aos jornalistas.

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