População da China envelhece e cria 'fardo' para os mais jovens; saiba mais

Atualizado em  1 de outubro, 2012 - 12:32 (Brasília) 15:32 GMT
Idoso chinês | Crédito da foto: BBC

Governo chinês teme pelo envelhecimento da população.

A população da China está envelhecendo. Até 2050, segundo dados das Nações Unidas, mais de um quarto dos chineses terá mais de 65 anos de idade. Com o envelhecimento da população do país, as gerações mais jovens carregarão um fardo sem precedentes, apontam especialistas.

Menos crianças

No fim dos anos 70 e no começo dos anos 80, o governo passou a defender um estilo de vida conhecido como "mais tarde, mais longo e menos" - em referência a casamentos mais tardios, períodos mais longos entre cada gravidez e menos crianças.

As autoridades também instauraram a polêmica política de um filho por casal. O conjunto de medidas foi tomado com vistas a inibir o crescimento populacional e modernizar a economia.

Atualmente, as chinesas têm menos filhos, mas o fato de uma geração menor seguir-se a uma explosão populacional - aliado à crescente expectativa de vida no país - significa que até 2050, para cada cem cidadãos entre 20 e 64 anos, existirão 45 com mais de 65 anos, em comparação com apenas 15 hoje em dia, indicam estimativas.

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A família 4-2-1

Somente filhos de pais filhos únicos enfrentam a situação conhecida como 4-2-1: quando a criança tem idade suficiente para trabalhar, mas tem os dois pais e quatro avós como dependentes. O casal Zini e Lin, ambos filhos únicos, está nesta situação, e sua família teme pelo futuro.

1950

A China era um país em desenvolvimento, com alto índice de natalidade e expectativa de vida de cerca de 44 anos.

Os avós

Senhor e senhora Wang (Pais de Zini, ambos em atividade):

"Hoje vivemos bem. Temos as nossas aposentadorias e não devemos precisar de apoio financeiro do nosso filho e nora no futuro. Nos esforçamos ao máximo para não incomodar o nosso filho e a sua esposa na nossa velhice. Mas, pessoalmente, preferiríamos envelhecer em casa do que em um asilo."

Senhor e senhora Zhang (Pais de Lin; Zhang trabalha, mas sua esposa está aposentada)

"Tentamos poupar no que podemos, além de nos mantermos saudáveis para ter uma velhice confortável. Esperamos, também, não ter de contar com a nossa filha e genro financeiramente ou fisicamente quando estivermos velhos."

1980

A China introduziu a política do filho único em 1979. Entre as exceções, estavam casais cujo primogênito era menina e moradores da zona rural.

Os pais

Zini e Lin

"No momento, achamos que está tudo bem. Os nossos pais têm 50 e muitos anos, alguns ainda trabalham e devem receber pensões suficientes para se manter financeiramente quando se aposentarem.

Mas sentiremos uma pressão tremenda quando eles ficarem mais velhos e mais frágeis.

Por exemplo, poderíamos apoiá-los se um deles ficar doente, mas certamente teríamos dificuldades caso mais de um adoecesse, porque somos só dois para tomar conta de quatro. Seria realmente muito difícil!"

2010

Quando os filhos da geração do filho único atingirem seus 30 a 40 anos, há uma grande probabilidade de que seus pais e avós estejam vivos e precisem de algum tipo de assistência.

A neta

Manbao (filha de Zini e Lin, nascida em 2009)

"A nossa filha é jovem demais para entender isso tudo.

Para reduzir o fardo que vai ter que carregar no futuro, pensamos em ter um segundo filho dentro de alguns anos, quando ela estiver um pouco maior.

Sucesso do filho único?

A taxa de fertilidade da China - ou seja, o número de filhos de uma mulher durante a vida - é de 1,6, mais baixa que a dos Estados Unidos ou a do Reino Unido.

O governo chinês acredita que a política do filho único limitou o crescimento da população de forma eficiente, evitando o nascimento de quase 400 milhões de pessoas.

A pedido da BBC, o especialista em população Cai Yong, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), estimou o que teria acontecido na China caso a política nunca tive sido implantada.

O estudo indica que a fertilidade da China teria caído de forma semelhante, e continuaria em declínio, mesmo se a política tivesse sido descartada.

O especialista afirma que a Divisão de População das Nações Unidas e estatísticos da Universidade de Washington desenvolveram modelos sofisticados para prever o futuro da fertilidade de um país, com base na história e em tendências de fertilidade de outros países.

Yong aplicou o modelo à China, partindo do pressuposto de que só se conhecia a história da fertilidade no país antes da política do filho único, e dessa forma foi capaz de "prever" os níveis de fertilidade a partir de então. Tais previsões podem ser comparadas com o que realmente aconteceu.

Na década de 70, o país teve sucesso notável na redução da natalidade, antes da introdução da política do filho único, segundo Yong.

A taxa de natalidade chinesa caiu de 5,8 filhos por mulher em 1970 para 2,7 em 1978. O estudo do especialista diz que o modelo indica que a taxa continuaria a cair, mesmo sem a política do filho único, e possivelmente até de forma mais acelerada.

"Uma explicação poderia ser a ansiedade causada pela política na população, que teria levado muitos a terem filhos mais cedo. Houve uma queda na idade do primeiro casamento e na idade do primeiro parto durante a década de 80."

Muitas exceções à política do filho único foram feitas de acordo com a localização geográfica, emprego ou sexo do primeiro filho.

Famílias que não tinham direito a nenhuma exceção podiam, se tivessem condições, pagar a multa por infração da regra do filho único e ter mais crianças.

No entanto, muitas famílias foram afetadas, avalia Yong.

O especialista afirmou também que críticos apontam que as medidas tomadas para garantir a implementação da política, entre elas abortos forçados, esterilização e abortos seletivos de acordo com sexo. Tudo isso teria alterado as proporções entre homens e mulheres no país.

O último censo indica que para cada cinco meninas, quase seis meninos nasceram, segundo o pesquisador.

"O declínio da natalidade é um fenômeno global: a maioria dos países em desenvolvimento vivencia redução de natalidade sem qualquer medida draconiana do governo", afirmou Yong.

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